quarta-feira, 29 de junho de 2016

Os Boiadeiros na Umbanda





São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas sessões de Umbanda.

Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e passando, como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a força de vontade, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta.

Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e rezas fortes para todos os fins.

O Caboclo Boiadeiro traz o seu sangue quente do sertão, e o cheiro de carne queimada pelo sol das grandes caminhadas sempre tocando seu berrante para guiar o seu gado.

Normalmente, eles fazem duas festas por ano, uma no inicio e outra no meio do ano. Eles são logo reconhecidos pela forma diferente de dançar, tem uma coreografia intricada de passos rápidos e ágeis, que mais parece um dançarino mímico, lidando bravamente com os bois.

Seu dia é quinta feira, gosta de bebida forte como por exemplo cachaça com mel de abelha, que eles chamam de meladinha, mas também bebem vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos. Seu prato preferido é carne de boi com feijão tropeiro, feito com feijão de corda ou feijão cavalo. Boiadeiro também gosta muito de abóbora com farofa de torresmo. Em oferendas é sempre bom colocar um pedaço de fumo de rolo e cigarro de palha.

No Terreiro os Boiadeiros vêm "descendo em seus aparelhos" como estivessem laçando seu gado, dançando, bradando, enfim, criando seu ambiente de trabalho e vibração.

Com seus chicotes e laços vão quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e as pessoas da assistência.Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo as portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, assim como os Exus.

Quando o médium é mulher, freqüentemente, a entidade pede para que seja colocado um pano de cor, bem apertado, cobrindo o formato os seios. Estes panos acabam, por vezes, como um identificador da entidade, e até da sua linha mais forte de atuação, pela sua cor ou composição de cores.

Alguns usam chapéus de boiadeiro, laços, jalecos de couro, calças de bombachas, e tem alguns, que até tocam berrantes em seus trabalhos.

Nomes de alguns boiadeiros: Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro Navizala, Boiadeiro José, Boiadeiro de Imbaúba, João Boiadeiro, Boiadeiro Chapéu de Couro, Boiadeiro Juremá, Zé Mineiro, Boiadeiro do Chapadão, etc.

Sua saudação: “Jetruá Boiadeiro”, “Xetro Marrumbaxêtro”

Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, "o caboclo sertanejo". São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai.

Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.


Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral. Nas caminhadas tocava seu berrante e sua viola cantando sempre uma modinha para sua amada, que ficava na janela do sobrado, pois os grandes donos das fazendas não permitiam a mistura de empregados com a patroa.


É tal e qual se poderia presenciar do homem rude do campo. Durante o dia debaixo do calor intenso do sol ele segue, tocando a boiada, marcando seu gados e território. À noite ao voltar para casa, o churrasco com os amigos e a família, um bom papo, ponteado por um gole de aguardente e um bom palheiro, e nas festas muita alegria, nas danças e comemorações.


Sofreram preconceitos, como os "sem raça", sem definição de sua origem. Ganhando a terra do sertão com seu trabalho e luta, mas respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio: suas ervas, plantas e curas; e um pouco do negro: seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco do branco: sua religião (posteriormente misturada com a do índio e a do negro) e sua língua, entre outras coisas.


Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande.


O caboclo boiadeiro está ligado com a imagem do peão boiadeiro - habilidoso, valente e de muita força física. Vem sempre gritando e agitando os braços como se possuísse na mão, um laço para laçar um novilho. Sua dança simboliza o peão sobre o cavalo a andar nas pastagens.


Enquanto os "caboclos índios" são quase sempre sisudos e de poucas palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e conversadores.


Os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada boi (espírito) para seu destino, e trazem os bois que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do resto da boiada (o caminho do bem).


Os Caboclos são entidades fortes, viris. Alguns têm algumas dificuldades de se expressar em nossa língua, sendo normalmente auxiliados pelos cambonos. São sérios, mas gostam de festas e fartura. Gostam de música, cantam toadas que falam em seus bois e suas andanças por essas terras de meu Deus. Os Boiadeiros também são conhecidos como "Encantados",pois segundo algumas lendas, eles não teriam morrido para se espiritualizarem, mas sim se encantados e transformados em entidades especiais.


Os Boiadeiros também apresentam bastante diversidade de manifestações. Boiadeiro menino, Boiadeiro da Campina, Boiadeiro Bugre e muitos outros tipos de Boiadeiros, sendo que alguns até trabalham muito próximos aos Exus.


Suas cantigas normalmente são muito alegres, tocadas num ritmo gostoso e vibrante. São grandes trabalhadores, e defendem a todos das influências negativas com muita garra e força espiritual. Possuem enorme poder espiritual e grande autoridade sobre os espíritos menos evoluídos, sendo tais espíritos subjugados por eles com muita facilidade.


Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, trabalham incorporados na Umbanda, Quimbanda e Candomblé. Fazem parte da linha de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções. Formam uma linha mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a modernidade do que os caboclos, que foram povos primitivos. Esses espíritos já conviveram em sua ultima encarnação com a invenção da roda, do ferro, das armas de fogo e com a prática da magia na terra.


Saber que boiadeiros conheceram e utilizaram essas invenções nos ajuda muito para diferenciarmos dos caboclos. São rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não é a consulta como os Pretos-velhos, nem os passes e muito menos as receitas de remédios como os caboclos, e sim o "dispersar de energia" aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa linha "sempre" atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos).


Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim "limpam" o ambiente para que a prática da caridade continue sem alterações. Esses espíritos atendem aos boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina.


Em grande parte, o trabalho dos Boiadeiros ''e no descarrego e no preparo dos médiuns. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a portas para a entrada dos outros guias e tornando- se grandes protetores, como os Exus.


Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas. São verdadeiros conselheiros e castigam quem prejudica um médium que ele goste. "Gostar" para um boiadeiro é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele "filho". Pois ser filho de boiadeiro não é só tê-lo na coroa.


Trabalham também para Orixás, mais mesmo assim, não mudam sua finalidade de trabalho e são muito parecidos na sua forma de incorporar e falar, ou seja, um boiadeiro que trabalhe para Ogum é praticamente igual a um que trabalhe para Xangô, apenas cumprem ordens de Orixás diferentes, não absorvendo no entanto as características deles.


Dentro dessa linha a diversidade encontra-se na idade dos boiadeiros. Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões, por exemplo: Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc.


Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.


Jetruá Boiadeiro...


Saravá Seu Boiadeiro.






Em grande parte, o trabalho dos Boiadeiros ''e no descarrego e no preparo dos médiuns. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a portas para a entrada dos outros guias e tornando- se grandes protetores, como os Exus.


Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas. São verdadeiros conselheiros e castigam quem prejudica um médium que ele goste. "Gostar" para um boiadeiro é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele "filho". Pois ser filho de boiadeiro não é só tê-lo na coroa.


Trabalham também para Orixás, mais mesmo assim, não mudam sua finalidade de trabalho e são muito parecidos na sua forma de incorporar e falar, ou seja, um boiadeiro que trabalhe para Ogum é praticamente igual a um que trabalhe para Xangô, apenas cumprem ordens de Orixás diferentes, não absorvendo no entanto as características deles.


Dentro dessa linha a diversidade encontra-se na idade dos boiadeiros. Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões, por exemplo: Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc...


Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.


Jetruá Boiadeiro...


Saravá Boiadeiro.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A MAGIA DOS PRETOS VELHOS


Na Umbanda os Pretos velhos são homenageados no dia 13 de maio, data que foi assinada a Lei Áurea, a abolição da escravatura no Brasil.

Pretos velhos ou Pretos-velhos são entidades de umbanda, espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos "seus filhos".

O preto velho, na umbanda, está associado aos ancestrais africanos, assim como o caboclo está associado aos índios e o baiano aos imigrantes nordestinos.

São entidades que tiveram pela sua idade avançada, o poder e o segredo da sabedoria, apesar da rudeza do cativeiro demonstram fé para suportar as amarguras da vida, consequentemente são espíritos guias de elevada sabedoria, trazendo esperança e quietude aos anseios da consulência que os procuram para amenizar suas dores, ligados a vibração de Omolu, são mandingueiros poderosos, com seu olhar prescrutador sentado em seu banquinho, fumando seu cachimbo, benzendo com seu ramo de arruda, rezando com seu terço e aspergindo sua água fluidificada, demandam contra o baixo astral e suas baforadas são para limpeza e harmonização das vibrações de seus médiuns e de consulentes.

A característica desta linha, devido a elevação espiritual de tais entidades, é o conselho e a orientação aos consulentes, são como psicólogos, receitam auxílios, remédios e tratamentos caseiros para os males do corpo e da alma.

Os pretos velhos se apresentam com nomes que individualizam sua atuação, do Congo ou de Angola, evidenciando sua atuação propriamente dita e procedência. Em sua linha de atuação eles apresentam-se pelos seguintes codinomes, conforme acontecia na época da escravidão, onde os negros eram nominados de acordo com a região de onde vieram:
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Congo (Pai Francisco do Congo) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Iansã;
Aruanda (Pai Francisco de Aruanda) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxalá. (OBS: Aruanda quer dizer céu);
D´Angola (Pai Francisco D´Angola) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Ogum;
Matas (Pai Francisco das Matas) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxóssi;
Calunga, Cemitério ou das Almas (Pai Francisco da Calunga, Pai Francisco do Cemitério ou Pai Francisco das Almas) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Omolu/ Obaluaê;

Entre diversas outras nominações tais como: Guiné, Moçambique, da Serra, da Bahia, etc… Muitos Pretos velhos podem apresentar-se como Tio, Tia, Pai, Mãe, Vó ou Vô, porém todos são Pretos velhos.

ADOREI AS ALMAS!!! SALVE OS PRETOS VELHOS DE UMBANDA!!!

AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO.


Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava.

De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as… Foram sete.

Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?

E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.

A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber…

A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.

A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a UMBANDA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.

A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.

A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.

A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.

A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.

Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Ogum

Ogun deus da metalurgia e tudo que está ligado ao ferro

Ogum é o orixá da guerra, da coragem, o protetor dos templos, das casas, dos caminhos.
Ogum precede os outros orixás, vindo logo após Exú, e recebe também parte dos sacrifícios dos outros orixás pois foi quem que forjou o obé (faca usada nos rituais para oferendas de sacrifícios).
Era um guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos.
Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros estados e apossou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, “Rei de Irê”.

Características dos filhos do orixá Ogum

Os filhos de Ogum são o tipo das pessoas fortes, aguerridas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vítimas.Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que, nos momentos difíceis, triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos.
São do tipo de pessoas impetuosas e arrogantes, mas que devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.

Dias, cores, comidas e saudações a Ogum

  • Dia da semana consagrado a Ogum: Terça-feira
  • Cores: azul escuro, azul marinho, azul cobalto, verde;
  • Símbolo: idá (espada de ferro);
  • Contas: azul escuro, verde;
  • Oferendas: bodes e galos, inhame, feijoada, cerveja branca.
  • Saudação: “Ogunhê!”

Fonte: http://www.raizesespirituais.com.br/orixas/ogum/

terça-feira, 19 de abril de 2016

Os Pães de Ògún – O Nascimento da Tradição

Resultado de imagem para pão de salAtualmente muitos Terreiros realizam o chamado “Pães de Ògún”. Resumidamente nas festas em homenagem ao Òrìsà Ògún, pães são distribuídos aos filhos e demais pessoas presentes. Muitos acreditam que a cerimônia ocorre em razão do sincretismo de Ògún com Santo Antônio e em razão dos pães desse santo. Em verdade, o surgimento dessa cerimônia ocorreu em 1.952, em razão de um acontecimento com a Ìyálòrìsà Simpliciana Basília da Encarnação –, a aclamada Mãe Simplícia de Ògún, então Ìyálòrìsà do Asè Òsùmàrè, mãe carnal da Ìyálòrìsà Nilzete de Yemoja e avó de Pai Pecê.
Mãe Simplícia ascendeu à posição de Ìyálòrìsà do Asè Òsùmàrè em 1.952 e à época, com muito esforço e dedicação lutava para conseguir manter a estrutura do Asè e para que nada faltasse para os Òrìsà ou para a sua família. Mãe Simplícia sempre trabalhou, mas mesmo com a venda de fato e de quitutes, era muito difícil manter tudo.
Todos os dias pela manhã, antes de ir ao Retiro onde comercializava fato, mãe Simplícia cumpria um rigoroso ritual. Ia até a cozinha onde pegava farinha para com água entregar a Èsù, pedindo que o dia fosse bom e que não passasse por dificuldades, entoava um antigo cântico ao galo e dava início a sua longa jornada.
Certa vez Mãe Simplícia ao entrar na cozinha para novamente cumprir seu ritual, deparou-se com as latas de farinhas vazias – havendo somente pão. Diante do cenário desolador, Mãe Simplícia suplicou a Ògún que não deixasse jamais faltar algo dentro de sua casa que, quando da realização da sua festa, ela daria pães de lembrança.
Com o passar dos dias, Mãe Simplícia conseguia ainda que de forma tímida se estruturar financeiramente e com as chamadas “caixas”, conseguia seguir o calendário religioso do Asè Òsùmàrè. Quando chegou a festa de Ògún, mãe Simplícia não se esqueceu da promessa que havia feito no momento de grande dificuldade e preparou uma certa quantidade de pães para serem distribuídos. Pessoalmente, mãe Simplícia colocava os pães em saquinhos, enfeitando-os com fitinhas na cor azul, ela era caprichosa e gostava das coisas bonitas e arrumadas. Assim aconteceu no primeiro e segundo ano da gestão de Mãe Simplícia.
No terceiro ano, Mãe Simplícia já se estabelecera como importante Ìyálòrìsà do Candomblé da Bahia e com muito esforço, dedicação e trabalho, havia conseguido comprar um fogão para o Terreiro de Candomblé – até então, só havia fogão de lenha no Asè e não era comum o uso do fogão a gás. Mãe Simplícia estava muito contente, pois poderia fazer no próprio Asè os pães para as lembrancinhas da festa de Ògún Dekisi.
Dessa forma, mãe Simplícia organizou tudo para que os pães fossem assados no Terreiro, enfeitados e distribuídos aos devotos de Ògún. Porém, no dia da festa, durante o preparo dos pães, o gás acabou e ninguém conseguia achar um local que vendesse para que todos os pães fossem assados. Pouco antes do início da festa, finalmente conseguiram o gás, mas já era tarde. Mãe Simplícia pediu que assassem os pães, mas que seriam servidos no café, no dia seguinte, sendo que ela não conseguiria fazer as lembrancinhas. Muito sesolada pelo fato de não conseguir manter a sua promessa, Mãe Simplícia deu início a festa de forma muito triste, enquanto os pães eram assados para serem distribuídos no outro dia.
Quando Ògún foi sair para o “Hun”, ele surpreendeu a todos...
De forma inesperada Ògún entrou na cozinha pegando os pães que ainda estavam esfriando, sendo que como relatado, a falta do gás atrasou o preparo. Ògún pegou um balaio, enfeitou com o màrìwò de suas vestes, colocando nele todos os pães que foram feitos. Emocionados, os filhos do Asè Òsùmàrè aclamavam Ògún. Aquele venerável Òrìsà que mãe Simplícia tanto amava, entrou com os pães no salão.

Ògún de Mãe Simplícia então começou a distribuir aqueles pães. Os filhos do Asè recebiam os pães de forma muito emocionada, conclamando Ògún. Para eles, aquele pão carregava uma simbologia muito grande. Aquele pão não retratava as dificuldades passadas por mãe Simplícia, mas sim, a vitória dela obtida por meio da fé naquele Òrìsà tão poderoso. Òrìsá que mesmo com o seu perfil de lutador e vencedor das grandes batalhas, teve a sensibilidade para ver a apreensão no coração da sua filha, tomando assim, uma atitude que anos depois, passou a ser replicada pelos descendentes do Asè Òsùmàrè e de outras famílias, torando uma das tradições mais bonitas da nossa Casa.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

O QUE APRENDI COM O ORIXÁ




Se estou sem dinheiro; é porque gastei.
Se estou doente; é porque não me cuidei.
Se fiquei chateado; é porque expectativa eu criei.
Se perdi; é porque não mereci.
Se pensarmos e agirmos assim, mais tranquilamente melhoraremos nosso destino, não repetindo erros e falhas.
Agora, se insistirmos em terceirizar a culpa de tudo que ocorre em nossas vidas para algo externo, insistiremos em continuar errando.
Diferentemente do que a maioria das pessoas pensam, nossa religião não atribuiu o nosso fracasso ao seres “espirituais”, ao contrário. Nossa filosofia nos ensina que somos responsáveis pelo que conquistamos e pelo que fracassamos.
Òrisà nos orienta à ter uma vida equilibrada e à sermos gratos pela nossa vida e existência. E ser grato à tudo, a todo momento. Não adianta agradecer pela manhã e reclamar de tarde, não funciona assim.
A busca pela realização e felicidade, não depende apenas de sorte, depende de esforço, foco e determinação.
Voltando nossos olhos para isso, analisaremos qual é a real função de Orixá em nossas vidas e qual é a nossa real obrigação com nós mesmos


quarta-feira, 23 de março de 2016

Os rituais da Umbanda na Semana Santa


Volta dos trabalhos espirituais dos orixás na semana santa
Muitos terreiros de Umbanda dão início as comemorações da Semana Santa na quarta-feira santa com o fim da quaresma.

Muito antes do cristianismo o povo africano já respeitava aquaresma, porém com um significado diferente dos fatos relacionados a vida de Jesus Cristo.
Enquanto os cristãos celebram a morte e a ressurreição de Cristo, os africanos celebram o Lorogun, período em que os orixás entram em guerra contra o mal, para trazer o pão de cada dia para seus filhos.
Semana Santa começa na quarta-feira que antecede o domingo de Páscoa, 40 dias após a quarta-feira de cinzas, quando comemoramos na umbanda o retorno aos trabalhos com os orixás no sábado de aleluia.
Páscoa tem seu lugar na primeira lua cheia no signo de Áries que é um importante evento celeste mas não tem uma estreita ligação com a umbanda. Até hoje celebramos a páscoa no primeiro domingo seguinte à primeira lua cheia do signo de Áries.

A Guerra dos orixás na quaresma

Em muitos terreiros de umbanda na quarta-feira de cinzas os orixás da casa devem ser vestidos e cada filho de santo oferece a eles suas comidas preferidas.
Os atabaques são recolhidos, depois de serem lavados com ervas, somente sendo acordados noSábado de Aleluia, sendo esta a forma de fortalecer os atabaques do terreiro. Os orixás estão em guerra!

Lorogun – rituais da umbanda na Semana Santa

Na noite de quinta para sexta-feira da paixão os seguidores da umbanda devem se proteger, usando seus contra-eguns, pois nesse dia Iansã está em guerra e não pode conter os eguns que nos rondam.
No Sábado de Aleluia, Ogum, guerreiro maior do panteão africano, faz a distribuição de pães, representando a vitória na guerra pela paz. É o fim da guerra dos orixás.

A Criação do Mundo na Umbanda

Na umbanda, a Semana Santa representa a criação do mundo, por este motivo, neste período seus seguidores devem vestir-se de branco, principalmente na sexta-feira da paixão, por ser este o dia em que os orixás descem do Orún (o mundo dos espíritos) para conhecerem a grande criação de Olorum.
Durante a Semana Santa devemos nos alimentar com comidas brancas, tais como canjica, arroz, arroz doce, acaçás e pães. Devemos evitar a ingestão de qualquer tipo de carne, assim como não devemos ingerir bebidas alcoólicas especialmente na sexta-feira da paixão.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A LINHA DOS MARINHEIROS




A Linha dos Marinheiros da Umbanda engloba espíritos que trabalham no auxílio a encarnados e desencarnados, a partir do seu magnetismo aquático e de seus conhecimentos sobre a manipulação do Mistério das Águas. 
Nela se apresentam espíritos que em últimas encarnações foram marinheiros de fato, navegadores, oficiais, pescadores, povos ribeirinhos, canoeiros, ex-piratas etc.

É o arquétipo do homem litorâneo, daquele que sobrevive do mar e dos rios. 
A Linha dos Marinheiros tem a Regência direta dos Orixás Iemanjá e Omolu.
Iemanjá rege “a parte de cima” do mar e Omolu rege “a parte de baixo”.
Iemanjá rege o mar (“calunga grande”) e dá sustentação e amparo aos espíritos que nele viveram de forma positiva, extraindo de suas águas recursos para alimentar vidas. 

Omolu rege a terra (“calunga pequena”) e sustenta o eterno vai-e-vem das águas. Mas também atrai para os seus domínios os espíritos que se utilizaram do mar de forma negativa, alimentando apenas seus instintos inferiores.

Esta Linha de Trabalho é também chamada de “Povos da Água” e está relacionada a outras Mães das Águas: Oxum (águas doces), Nanã (lagos e lagoas), Iansã (água da chuva), Oyá - Tempo (água do sereno). Mas sua principal Regente é Iemanjá.

Os Marinheiros trabalham ainda sob influência das Forças Naturais que enfrentam no mar, tais como: as calmarias (Mistério de Oxalá); os raios (Mistério de Xangô); os tufões (Mistério de Yansã); os ciclones (Mistério de Oyá-Tempo); os bancos de areia (Mistério de Omolu); os recifes de corais (Mistério de Obá); os sargaços (Mistério de Oxóssi); as correntes marinhas (Mistério de Ogum). 

Para lidar com essas energias, os Marinheiros precisam do conhecimento e da licença dos Orixás Regentes. 
Portanto, ser um Marinheiro de Umbanda requer “preparo”!...

Nos Terreiros, a chegada dos Marinheiros traz uma alegria contagiante. Abraçam a todos, brincam com um jeito maroto, gingando pra lá e pra cá, parecendo embriagados. Mas não estão embriagados, como se poderia pensar. É o seu magnetismo aquático que os faz ficar “balançando”. 

Cada elemento tem o seu magnetismo. E os espíritos que se manifestam naquela Irradiação têm magnetismo idêntico. O que faz o mar ondular é o magnetismo característico de Mãe Iemanjá regente Divina dessas águas e da Linha dos Marinheiros. Logo, os Marinheiros têm esse magnetismo “ondulante”. 

Ao incorporar em seu médium, o Marinheiro “bambeia”, ele se movimenta como quem se equilibra no tombadilho de um navio ou de um barco em alto mar. Desta forma, ele libera energias em formas onduladas, é através dos seus “balanços” que lembram os movimentos de uma pessoa embriagada. (Se ficarmos algum tempo no mar, vamos entender melhor isso: ao voltar para terra firme, sentiremos estar “balançando”, “bambeando”, ainda sob o efeito do movimento ondulante do mar.) 

Os “balanços” dos Marinheiros liberam ondas de forte magnetismo aquático que desagregam acúmulos negativos de origem externa e interna, equilibram nosso emocional e mental e nos dão condições de gerar coisas positivas em nossas vidas. Vale lembrar que as águas simbolizam as nossas emoções e estão ligadas à origem da vida. 

Nas Giras de desenvolvimento o magnetismo dos Marinheiros é um potente equilibrador emocional do médium, colaborando de forma essencial no processo.

A Linha atua preferencialmente na diluição de cargas trevosas e em trabalhos voltados para a cura emocional do consulente, muitas vezes com a ajuda de seres Elementais da Água que são atraídos com tal propósito. O contato com esses seres realiza uma potente limpeza em nosso campo magnético, uma verdadeira “explosão” de energia equilibradora.

Os Marinheiros são Magos dos Mistérios Aquáticos. Atuam de forma única dentro da Umbanda, na manipulação de energias que nos libertam de bloqueios íntimos e nos dão equilíbrio emocional. Pode parecer pouco, mas hoje a própria ciência analisa e admite os efeitos dos distúrbios emocionais como geradores de várias enfermidades. De modo que a cura emocional é o primeiro grande passo para outras conquistas. 

Os Marujos lidam com os consulentes de forma simpática e extrovertida, “quebrando o gelo” e deixando o assistido muito à vontade, o que facilita a recepção dessas energias equilibradoras e curadoras.



Sua linguagem é bastante simbólica: 

●“o mar”― expressão que usam significando a nossa vida. Quando falam que “o mar tá bravo”, é porque o médium ou o consulente está com dificuldades na vida por não saber lidar com as emoções;

●“barco”― maneira pela qual nos designam (é o próprio médium, é o consulente); 

●“Capitão Maior/Capitão do Navio”― expressões para se referirem a Deus.
Além dos trabalhos de descarrego e quebra de magias negativas, dão consultas e passes. Costumam ir direto ao ponto, sem rodeios. Mas sabem como falar aos consulentes sem criar um clima desagradável ou de medo. 
São amigos, trazem uma mensagem de esperança e força. Sempre nos alertam para agir com fé e confiança e desbravar o desconhecido, seja do nosso interior ou do mundo que nos rodeia. 


Algumas vezes, ao incorporar, os Marinheiros precisam tomar alguma bebida alcoólica para não prejudicar o físico do médium. Como se explica isso?
Acontece que o nosso organismo queima ou consome energia; e o álcool produzido pelos amidos que ingerimos sustenta essa queima. 

No caso, sem ingerir a bebida, o magnetismo da Entidade absorverá muito do álcool do corpo do médium, prejudicando suas funções. Quando espíritos regidos por magnetismos densos (água, terra e fogo) incorporam, eles precisam ingerir alguma bebida alcoólica, para não consumir aquele álcool do corpo do médium. Caso contrário, irão paralisar o organismo do médium em algumas de suas funções.

O uso da bebida dá fluidez e volatilidade às vibrações desses espíritos, expande seus campos magnéticos e possibilita a estabilização e o equilíbrio nas incorporações. Como os Marinheiros vivem na irradiação aquática do mar, quando incorporam, parece-lhes que é o solo que está se movendo. Daí, com funções inversas, o álcool lhes dá estabilidade e equilíbrio para ficarem parados e darem atendimento às pessoas.

O álcool tira o equilíbrio de uma pessoa. Mas, assim como o veneno de cobra é o único antídoto contra picadas de cobras, com os Marinheiros a ingestão de bebida alcoólica lhes dá estabilidade. Porém, esse consumo precisará ser controlado e restrito a uma dose mínima!

Dentro de um trabalho espiritual, o excesso de bebida nunca se justifica. O Guia é um espírito que se preparou e obteve a permissão da Lei Divina para vir nos ajudar; é um mago que sabe como manipular os elementos e usa o mínimo necessário, pois não precisa de “quantidade”. Quando há excesso, isso se dá pela ignorância (despreparo), ou então pela vaidade do médium.

Nomes simbólicos: Martim Pescador, Marinheiro das Sete Praias, João das Sete Ondas, Capitão dos Mares, João da Praia, Zé do Mar, Zé Pescador, João da Marina, Zé da Maré, Antonio das Águas, Zé da Jangada, Seu Antenor, Seu Jangadeiro, João Canoeiro, Zé dos Remos, João do Rio etc.

Dia da semana: A 2ª feira, dia associado à Lua e ao Orixá Iemanjá Também a 6ª feira, regida por Netuno, planeta relacionado a Iemanjá.

Campo de atuação: Quebra de bloqueios emocionais; equilíbrio das emoções; limpeza energética; quebra de magias negativas.

Ponto de força: A beira-mar; beira dos rios.

Saudação: Salve a Marujada!

Cor: Azul claro e branco.

Elementos de trabalho: Pedras, conchas, búzios, estrelas do mar, caramujos, velas, fitas e linhas, areia, arroz, cebola branca. 

Ervas: Alfazema, erva-cidreira, anis estrelado, rosa branca, camomila, manjericão, erva de Santa Maria, mentruz, hibisco (flor), manjerona, mulungu (casca e raiz), noz moscada, margarida, sensitiva, arroz, erva de bicho, buchinha do norte, casca de alho, casca de cebola.

Fumos/defumação: Charuto; cigarrilha; fumos diversos feitos de ervas enroladas na palha.

Incenso: Rosas brancas, alfazema, anis estrelado.

Pedras: As pedras azuis. Exemplos: Água-Marinha, Topázio Azul, Calcedônia, Quartzo Azul. Também as pedras pretas, quando o trabalho é para uma limpeza pesada. Exemplos: Vassoura da Bruxa, Turmalina Preta. 

Bebidas: Suco de pera e de melão; água de coco; leite com mel; cerveja clara; conhaque com mel; rum; pinga com mel; vinho branco.

Frutas: Melancia, melão, pera pêssego, laranjas, figo, maçãs, uvas verdes, carambola. Também as frutas de polpa branca em geral.

Flores: Cravo branco, palmas brancas, rosas brancas; as flores brancas em geral; hortênsia.

Oferenda ritual: Velas, pembas, fitas e linhas de cor branca e azul claro; cravos bran­cos; frutas variadas; bebidas: rum, aguardente ou cerveja branca.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Caboclos

É o nome dado às entidades lendárias indígenas, ou de manifestações de religiões como o caboclo que se incorpora nos ritos de Candomblé de Caboclo, no Catimbó, e na Umbanda.Os Caboclos os legítimos representantes da Umbanda, eles se dividem em diversas tribos do nosso Brasil, de diversos lugares formando aldeias, eles vem de todos os lugares para nos trazer paz e saúde, pois através de seus passes, de suas ervas conseguem curar diversos males materiais e espirituais. A morada dos caboclos é a mata, onde recebem suas oferendas, sua cor é o verde os Caboclos, gostam de todas as frutas, de milho, do vinho tinto, gostam de tomar sumo de ervas e apreciam o coco com vinho e mel e cerveja. Existem falanges de caçadores, de guerreiros, de feiticeiros, de justiceiros; de curandeiros são eles chefes de terreiros. As vezes os caboclos são confundidos com o Orixá Oxóssi, mas eles são simplesmente entidades da umbanda que pertencem a linha de Oxóssi, embora sua irradiação possa ser de outro Orixá. Estão sempre em busca de vencer mais uma demanda, de ajudar mais um irmão de fé. São de pouco falar, mais de muito agir, pensam muito antes de tomar uma decisão, por esse motivo eles são conselheiros e responsáveis. Os Caboclos, de acordo, com planos pré-estabelecidos na Espiritualidade Maior, chegam até nós com alta e sublime missão de desempenhar tarefa da mais alta importância, por serem espíritos muito adiantados, esclarecidos e caridosos. Espíritos que não necessariamente tenham sido índios como citamos acima podem ter sido médicos na Terra, cientistas, sábios, professores, enfim, pertenceram a diversas classes sociais, os Caboclos vêm auxiliar na caridade do dia a dia aos nossos irmãos enfermos, quer espiritualmente, quer materialmente. Por essas razões, na maior parte dos casos, os Caboclos são escolhidos por Oxalá para serem os Guias-Chefes dos médiuns, ou melhor, representar o Orixá de cabeça do médium Umbandista (em alguns casos os Pretos-Velhos assumem esse papel). Constituem o braço forte da Umbanda, muito utilizados nas sessões de desenvolvimento mediúnico, curas (através de ervas e simpatias), desobsessões, solução de problemas psíquicos e materiais, demandas materiais e espirituais. Os caboclos não trabalham somente nos terreiros como alguns pensam . Os caboclos são espíritos de muita luz que assumem a forma de "índios", prestando uma homenagem à esse povo que foi massacrado pelos colonizadores. São exímios caçadores e tem profundo conhecimento das ervas e seus princípios ativos, e muitas vezes, suas receitas produzem curas inesperadas. Como foram primitivos conhecem bem tudo que vem da terra, assim caboclos são os melhores guias para ensinar a importância das ervas e dos alimentos vindos da terra, além de sua utilização.Usam em seus trabalhos ervas que são passadas para banhos de limpeza e chás para a parte física, ajudam na vida material com trabalhos de magia positiva, que limpam a nossa aura e proporcionam uma energia e força que irá nos auxiliar para que consigamos o objetivo que desejamos. O trabalho que eles desenvolvem é o de encorajar o nosso espírito e prepará-lo para que nós consigamos o nosso objetivo. A magia praticada pelos espíritos de caboclos e pretos velhos é sempre positiva, não existe na Umbanda trabalho de magia negativa, ao contrário, a Umbanda trabalha para desfazer a magia negativa os caboclos de Umbanda são entidades simples e através da sua simplicidade passam credibilidade e confiança a todos que os procuram, nos seus trabalhos de magia costumam usar pemba, velas, essências, flores, ervas, frutas e charutos. Quase sempre os caboclos vêm na irradiação do Orixá masculino da coroa do médium e as caboclas vêm na irradiação do Orixá feminino da coroa do médium; mas, eles(as) podem vir também na Irradiação do seu próprio Orixá de quando encarnados.



NOMES DE CABOCLOS NA UMBANDA





Os nomes usados pelas entidades espirituais, que apresentam-se como Caboclos, na Umbanda podem ser nomes indígenas de pessoas, como por exemplo: Cabocla Jurema ou podem ser referências a tribos ou troncos linguísticos, como Tupinambá. Podem ainda referir-se a nomes simbólicos, usados na Umbanda, como: Caboclo do Sol.


Outro fato que deve ser percebido é que alguns nomes de Caboclos, podem ser usados por falanges que vêm na vibração de dois ou mais Orixás, como por exemplo, o nome Cobra Coral, que é encontrado na vibração de Xangô ( mais comumente) e também na vibração de Oxóssi.


CABOCLOS DE OGUM:


Águia Branca, Águia Dourada, Pena Vermelha, Sete Espadas, Espada Flamejante, Sete lanças, Tabajara, Tamoio, Tucuruvú, Sete Ondas, Sete Caminhos, Sete Matas, Rompe Fogo, Caboclo Pantera Negra, Tupuruplata, Akuan, Rompe Nuvem, Caboclo Apeiara, Araribóia, Icaraí, Rompe Ferro, Beira Mar, Caiçara, Caboclo Goitacá, Ipojucan,Itapoã, Águia Solitária, Caboclo Kaluanã, Jaguarê, Ubirajara, Rompe Aço, Caboclo Beira Mar, Caboclo Ogum Iara, Caboclo Ogum Megê, Caboclo Ogum Matinata, Caboclo Guarani, Caboclo Ogum Naruê, Caboclo Ogum das Matas, Caboclo Apecatu, Caboclo Ogum Beira Rio, Caboclo Ogum de Lei, Caboclo Ogum de Ronda, Caboclo Ibiajara, Caboclo Guaçu, Caboclo Goitacá, Caboclo Apuana, Caboclo Tibiriçá.


CABOCLOS DE XANGÔ


Caboclo Sete Pedreiras, Caboclo Sete Cachoeiras, Caboclo Sete Pedras, Caboclo Sete Montanhas, Caboclo Cachoerinha, Caboclo Treme Terra, Caboclo Tupã, Cobra Coral, Caboclo Itapema,Itapoã, Caramuru, Itamirim, Urubatã da Guia, Treme Terra, Araúna, Cajá, Caboclo do Sol, Itapitinga, Itaqui, Ubiratã, Itajaí, Caboclo Guaritá, Juparã Mirim, Caboclo Itatiba,Caboclo Quebra, Itapeva, Caboclo Giguaçu, Pedra, Caboclo Itaimbé, Guará, Caboclo Itaum, Caboclo Itajubá,Sete Trovões, Caboclo Arranca-Toco, Pedra Preta, Caboclo Itapoã, Pedra Rôxa, Caboclo da Pedreira, Caboclo do Trovão, Itapema, Caboclo Cachoeira, Caboclo Gira Mundo, Caboclo Cubatão, Itapitinga, Caboclo Apuã, Caboclo Voturantim, Caboclo Guairá, Caboclo Itaúna, Caboclo Itabira,Caboclo Itambé, Caboclo Anajé, Caboclo Itatiba, Caboclo Itagi, Caboclo Anajé, Caboclo Itaguaçu,


CABOCLOS DE OXÓSSI


Sete Encruzilhadas, Mata Vírgem, Sete Flechas, Arruda, Pena Branca, Tupaíba, Tupiara, Aimoré, Tupinambá, Rompe Folha, Aracambé, Sete Matas, Junco Verde, Folha Verde, Apuava, Japiassú, Paraguassu, Asema, Pena Verde, Caboclo Jibóia, Pena Azul, Flecheiro, Caçador, Antã, Pena Dourada, Ubá, Caboclo da Lua, Apué, Caboclo da Mata, Anhaguera, Guarani, Guandú, Arapuí, Serra Azul, Sete Serras, Tapuia, Apuama, Flecha Dourada, Caboclo Uirapara, Caboclo Aymoré, Caboclo Lírio Branco, Uiba uí, Caboclo Tira-Teima, Caboclo Cipó, Caboclo Rôxo, Caboclo Jibóia, Caboclo Ubirajara, Caboclo Ubiracy, Caboclo Jiquitáia,Águia da Mata, Flecheiro do Fogo, Caboclo Apuama, Caboclo Jaguaruna, Caboclo Caiuá, Apoena, Caboclo Guarapari, Caboclo Toriba, Cabocla Jurema,Cabocla Jacira, Cabocla Flor de Lís, Cabocla Flor da Mata, Cabocla da Mata, Cabocla da Lua, Cabocla Lírio Branco, Cabocla Angatú, Cabocla Sete Flechas, Cabocla Sete Estrelas, Cabocla Samambáia, Cabocla Jandira, Cabocla Capotira, Cabocla Indaiá,


CABOCLOS DE OXALÁ


Caboclo Urubatão da Guia, Caboclo Araguacy, Caboclo Ibaté, Caboclo Mauá, Caboclo Ubirajara, Caboclo Guaratinguetá, Caboclo Eté, Caboclo Jurandir, Caboclo Ventania, Caboclo Tamandaré, Caboclo Apoema, Caboclo Iandé, Caboclo Iaé, Caboclo Uanã, Caboclo Jaçanã, Caboclo Yacamim, Caboclo Ibaretama, Caboclo Cuera,Uaçaiçú, Caboclo Araguaci, Caboclo Anhaguá, Caboclo Inaiê, Caboclo Taiguara, Caboclo Yakecan, Caboclo Uirá,



CABOCLAS DE IANSÃ


Cabocla Raio de Luar, Cabocla Jussara, Cabocla Raio de Luz, Cabocla Raio de Sol, Cabocla Bartira, Cabocla Potira,Cabocla do Vento, Cabocla Iacina, Cabocla Japotira, Cabocla da Chuva, Cabocla da Pedreira, Cabocla dos Raios, Cabocla Amanaiara, Cabocla Atiaia, Cabocla Amanacy, Cabocla do Trovão, Cabocla das Folhas, Cabocla Sete Raios, Cabocla Tempestade, Cabocla Amanara, Cabocla Tainá, Cabocla Amanacy, Cabocla Iaciara,



CABOCLAS DE IEMANJÁ


Cabocla da Praia, Cabocla das Ondas, Cabocla Janaína,Cabocla Aci, Cabocla Guaraciaba, Cabocla Sete Ondas, Cabocla Imerim, Cabocla Jaciaba, Cabocla do Mar, Cabocla Estrela do Mar, Cabocla Juracy, Cabocla Ayrumã, Cabocla Jaciema, Apenunga,



CABOCLAS DE OXUM


Cabocla da Cachoeira, Cabocla Assucena, Cabocla Yara, Caboclo Girassol, Cabocla do Rio, Cabocla do Sol, Cabocla Irani, Cabocla Saçuena, Inauê, Imaiá,Cabocla Igapira, Cabocla Lírio Verde, Cabocla Jupira, Cabocla Jaci, Cabocla Iracema, Cabocla Iraí, Cabocla Iaciara, Cabocla Ibotira


Fonte: http://portalgiramundo.blogspot.com.br/p/caboclos.html

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Carnaval, Quaresma e Umbanda: o que fazer neste período?



Muitos Centros de Umbanda fecham ou tem o atendimento limitado no período do Carnaval e da Quaresma, mesmo não sendo datas ligadas especificamente à Umbanda. Porque isso acontece?

A dúvida sobre o funcionamento dos Terreiros de Umbanda durante o Carnaval e Quaresma vem da época que os Orixás eram proibidos de serem cultuados no País e, por este e outros motivos, foram sincretizados com os santos católicos. Como o período da Quaresma corresponde a uma época de reclusão e reflexão dentro da igreja católica, muitos Terreiros de Umbanda e Candomblé se viam numa situação delicada junto à comunidade preponderantemente católica e fechavam as portas para não ter problemas com as autoridades locais, quando poderiam ser acusados de desrespeitosos com a religião católica.

As pessoas consideravam que as então conhecidas como ‘Casas de Santo’ não deveriam bater tambores ou praticar qualquer ritual na Quaresma, quando os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo. Mas devemos lembrar que estes são rituais católicos e não pertencem a religião umbandista. 


Os Terreiros de Umbanda não precisam parar suas atividades durante a Quaresma e podem funcionar normalmente, pois não estão ligados aos dogmas da igreja católica. Certos Terreiros de Umbanda tem preferência por trabalhar apenas com Exus e Pombagiras no período; outras Casas preferem trabalhar na linha de Pretos Velhos e Caboclos.

Vai depender da linha de trabalho espiritual seguida em cada Casa. Ao final é importante que os Terreiros definam suas práticas sem receio, pois a liberdade religiosa é garantida por Lei, acima de tudo.



Fonte: http://umbandaeucurto.com/noticias/10995/#.VryG5_krLct

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Seguir ou não uma Casa de Umbanda




Existe algumas regras que tem que ser adotadas para quem quer entrar em um Axé, para não se decepcionar depois.


- Passe 1,2,3 anos para ver se realmente é essa casa que você quer e se seu Orixá esta satisfeito com a conduta do Pai de Santo.


- Observe o Pai de Santo, ele vai ser seu espelho.


- Não se encante com casas belas, porque nem sempre o belo está ali.


- Olhe como se comporta o Exu da casa.


- Observe O que o Orixá da casa tem a oferecer espiritualmente.


- Se escutar O Pai de Santo na raiva falar que o filho de santo que ele fez não tem Orixá, quem não tem é ele.


- Se tem uma vida voltada para cachaça, orgias e não consegue conviver em comunidades, pense bem antes de entrar.


- Tenha consciência que o Pai de Santo é somente o Zelador do seu Orixá, não tem nenhuma obrigação de manter o luxo, bebidas e comida de filhos.


- Lembre-se que você é aquilo que quer ser e que colhe o que planta.


- A casa de Axé é um Templo Espírita e estamos aqui para nos evoluir.


- Respeite o tempo dentro do Axé, ele vai te servir de escada.


- Se você não consegue seguir regras não entre.