sexta-feira, 12 de maio de 2017

LINHA E ARQUÉTIPO DOS PRETO VELHOS




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Ditado por Pai João de Angola

O balanço do navio ainda enjoava. Não sei o que mais enojava, se era o balanço do navio ou a visão mórbida de tantos corpos de meus confrades empilhados e já sem vida. Se o mau cheiro e a falta de espaço ou ainda os grilhões que nos prendiam.

Triste sorte, quem são estes animais hominídeos que nos amarravam, batia e subjugava.

Zâmbi estaria revoltado conosco? Ou os Orixás se esqueceram de seu povo?

Pensando assim é que muitos dos nossos não puderam se aproveitar da oportunidade em viver a escravidão. Processo este que se por um lado mancha a história da humanidade, por outro, “lavou a alma” de milhares de espíritos que na carne sentiu o gosto amargo da prestação de contas com o Criador.

Todos sabem que quando os africanos foram escravizados, a Igreja logo tratou de justificar isso, tirando nossa alma, assim fizeram com nossos irmãos indígenas. Claro, é mais fácil arrancar-lhe a alma ao ter que conviver com a consciência.

Não vou aqui estender aos interesses dos colonizadores ou acusa-los. Vou tentar mostrar o lado bom desta sangrenta moeda.

Acontece que na Mãe África as coisas não iam tão bem quanto parece nos contos. Nosso povo era bem desenvolvido, no entanto totalmente dirigido pelo mito, este que ditava nossas diretrizes ou nele é que justificávamos nossos atos. Atos estes nada bons.

É certo que o homem tem necessidade de conquista e expansão. Diferentemente dos índios, nos digladiávamos em busca de riquezas e poderio, o que é pior, justificando como vontade dos Orixás, foi assim que a tribo de Ogum, formado por homens geneticamente mais avantajados pontificou este Orixá como o Senhor das Guerras e da Milícia….

Neste sentido o povo africano estava se distanciando da vida natural ou da conservação da vida, não foi diferente com nossos irmãos ocidentais que jogaram a culpa em Jesus e saíram conquistando terras pela lâmina da espada, bem, mas isso é dívida deles.

Com a escravidão, nós tivemos a oportunidade de nos reconhecer como semelhantes, uma vez que a rincha em tribos era feroz. Subjugados tivemos tempo para pensar em nossos atos, fazer brotar a humildade, simplicidade, resignação e principalmente o amor á vida. Todavia, para os companheiros que chegaram nesta conclusão entendo que cumpriu com o propósito Divino, porém não foi simples assim, muitos outros milhares caíram no ódio, vingança e toda sorte de sentimentos contrários a evolução necessária.

Perdoar o seu algoz talvez seja a chave mais certa para a iluminação!

Sabedoria, eis o que simboliza a Linha dos Pretos Velhos, mas saiba leitor, esta sabedoria só existe pela vivência, por experiência, não se compra não se lê, simplesmente vive.

Humildade, sentimento este simples de entender. Se coloque como parte do meio que você vive. Ao invés de querer ser expoente, ou líder, ou coisa do tipo, procure somar, contribuir para solidificar. Veja o Brasil, a fama da construção deste país recai nos ombros dos Europeus que casa alguma teria erguido sem os braços negros do nosso povo. A meu ver mais vale o que é concreto do que é falácia.

Já no Astral o povo africano que tinha se redimido de seus débitos milenares, e já com a “alma lavada” foi convocado pelos Mestres da Luz a formar a linha de trabalho espiritual em auxílio dos encarnados, surge assim o Grau Preto Velho, onde se assentou os nativos africanos, que pontificava paralelamente com o grau Caboclo, enquanto os índios traziam a jovialidade, determinação e pureza natural, nós contribuiríamos com o culto aos Orixás, bem organizado. Com a experiência do ancião e a mandinga que cura e afasta todo mal.

Desta forma iniciava um entrosamento perfeito e renovado no Astral que sustenta tantos encarnados nas mais variadas religiões.
Assim é o arquétipo da linha dos africanos, baseado no ancião, no simples e sábio.
Estamos à disposição daqueles que apesar do coração oprimido ainda se permite acreditar sem perder a fé e a esperança, levar graça aos desgraçados, amor aos desiludidos.

Mantemos o rótulo do velho arcado, para que assim possamos nos aproximar dos amedrontados, pois se a primeira vista não apresentamos perigo, rapidamente sentam em nosso colo.



Somos os Pais Velhos, Preto Velho, Africano, Saravá o Orixá!

Nota do Autor: Finalizando este texto me lembro de um ponto que traduz esta linha “A Umbanda é linda pra quem sabe trabalhar quem não pode com mandinga não carrega patuá!”

Este relato apresenta claramente o que a escravidão significou para nossos irmãos africanos. Claro que não justifica nada, tampouco deve parecer uma concordância com este tenebroso passado, penso que a lição para nós é simples, pois este Preto Velho tenta nos mostrar que do mais pesado fardo, da mais profunda dor, do mais confuso tumulto é a oportunidade de tirarmos lições capazes de nos colocar em outro patamar evolutivo e amadurecer a alma, o coração.


Pense nisso!


Fonte: https://umbandaead.blog.br/2017/05/11/linha-e-arquetipo-dos-preto-velhos/

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Oxossi

No sudeste do Brasil, Oxossi é sincretizado a São Sebastião. Quanto ao sincretismo, a história informa que São Sebastião nasceu em Milão e foi oficial da guarda pretoriana em Roma. Foi cristão convicto e ativo e por esse motivo padeceu também sob o domínio do imperador Diocleciano. Denunciado como cristão, São Sebastião foi levado perante o imperador e confessou publicamente a sua fé em Jesus Cristo. Acusado de traição foi condenado a morte. Amarrado a um tronco teve seu corpo varado por flechas. No dia seguinte constataram que não havia morrido. Levado novamente frente a Diocleciano, reafirmou novamente a sua fé, o imperador mandou então açoitá-lo até a morte. Esse fato ocorreu por volta do ano 284.


Na Umbanda, Oxossi é conhecido como o senhor das matas e da grande maioria dos caboclos. Sua cor é o verde, representando as matas das quais é o senhor absoluto. No Candomblé é conhecido como o “caçador” ou o protetor dos caçadores. Na Umbanda também é conhecido como o caçador, mas não de animais e sim, de almas e de homens, sendo a catequese seu maior objetivo. No aspecto espiritual, se Ogum é conhecido por sua enorme força, ele, porém, é muito agressivo. Oxossi já é conhecido por aliar a força com o bom senso, essas características emanam de Oxossi que se manifesta nos trabalhos de Umbanda, principalmente na manifestação dos caboclos e suas falanges. De Oxossi emana a altivez que encoraja a todos os seguidores da Umbanda, transmitindo grande segurança aos seguidores de nossos cultos.

As matas são para o umbandista os domínios de Oxossi. A função vibratória das matas é afirmar ou dar resistência a trabalhos ou consolidar trabalhos e obrigações.




Os enviados de Oxossi ao nosso plano físico, são normalmente os caboclos, os índios de diversas nações de nossas matas e guerreiros africanos. Esses enviados são os grandes conhecedores dos grandes segredos (raramente revelados) que fazem curas, afastam influências negativas e protegem os seguidores da Umbanda.

A altivez do caboclo, a sua autoridade, a seriedade, a força, a coragem, a perseverança, o sentido de lutar para vencer, provém diretamente de Oxossi, pois essas são algumas de suas características.
Oxossi como Ogum, é um grande guerreiro, é um grande lutador, destemido, corajoso e sempre pronto para defender os seguidores da Umbanda ou aqueles que sob a sua guarda se colocam.
Nos trabalhos dirigidos unicamente por caboclos, nota-se a força e a altivez que emana de Oxossi. Quem o evoca e sob a sua proteção se coloca, jamais cai, fazendo valer o ditado umbandista:


“Filho de Umbanda (correto) não cai”


Nas obrigações a Oxossi, que devem forçosamente serem realizadas nas matas, podem ser utilizadas flores brancas, como cravos e lírios, velas verdes ou brancas, vinho tinto, água pura e frutas de toda espécie, porém repetimos: Orixás não comem e não bebem, mas se o seu coração pedir, faça, mas não deixe lá a garrafa, proteja a natureza, se acender velas proteja o local para não colocar fogo nas matas.



Cor ........................ Verde

Domínios ................As matas

Atuação ................. A catequese

Saudação ...............Oxossi é meu pai ou Okê arô Oxossi

Elemento ............... Terra




Os filhos de Oxóssi apresentam características do arquétipo atribuído ao Orixá. Representam o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.

No positivo: São joviais, rápidos e espertos, mental e fisicamente. Cheios de iniciativa, dotados de um espírito curioso e observador, estão abertos a novas descobertas e novas atividades e são geralmente desbravadores, pioneiros. Têm grande capacidade de concentração e de atenção, firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir. Lidam bem com a realidade material, têm os pés ligados à terra, o que não quer dizer que sejam ambiciosos em demasia.

Possuem extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto apurado. Sua estrutura psíquica é emotiva e romântica. São discretos, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros e respeitam muito o espaço individual de cada um.

Independentes, não apreciam muito os trabalhos em equipe. Mas têm grande senso de dever e de responsabilidade, principalmente em relação aos cuidados para com a família (pois o “caçador” tem a responsabilidade de sustentar a tribo).

Sentem a necessidade do silêncio para desenvolver a capacidade de observação, e neste aspecto, são reservados. Isso pode levá-los ao rompimento de laços, o que não quer dizer que sejam instáveis em seus amores.

Fisicamente, tendem a ser magros, um pouco nervosos, mas controlados.

No negativo: Tornam-se muito solitários, fechados, introvertidos, críticos, respondões, brigam por qualquer motivo e podem tornar-se vingativos.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

PULAR 7 ONDAS: O RITO UMBANDISTA QUE O BRASILEIRO PRATICA SEM SABER


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No início várias práticas que tangem os ritos em homenagem a Mãe Iemanjá foram disseminados e passaram a servir de “simpatia” de final de ano a pessoas que seguiam outras vertentes religiosas e/ou se consideravam espiritualistas.
Esse comportamento vai resultar em tradições que ultrapassam a camada umbandista e se tornam corriqueiros – em determinadas datas – à pessoas dos mais variados credos. Tendo isso reconhecemos o ato de pular 7 ondas como um dos exemplos mais expressivos dessas manifestações.
Hoje vemos muitas pessoas comemorando o Ano Novo na orla marítima vestidos de branco, pulando sete ondas e levando champagne para ser “estourada” no mar; realizam esse “ritual” como uma simpatia, sem se darem conta de que o mesmo faz parte da tradição umbandista, que há um século vem influenciando nossa sociedade.


Pai Alexandre Cumino, em História da Umbanda

Origem das festividades no litoral


Por volta do ano de 1956, em 9 de dezembro no litoral paulista ocorria uma festividade denominada encontro das águas, nela umbandistas de diversas casas exaltavam o sincretismo entre Iemanjá e Nossa Senhora da Conceição (que por sua vez é sincretizada com Oxum).
O evento foi idealizado por Pai Jaú e tinha como objetivo levar em procissão a imagem de Mãe Iemanjá ao encontro da de Mamãe Oxum (representada pela imagem de N.S. da Conceição) que era levada por José Costa Moura da Federação Umbandista do Estado de São Paulo.
Isso aconteceu durante alguns anos no local, até que em decorrência do aumento significativo dos frequentadores da festa, que na época acontecia em uma área militar na Praia das Vacas os festejos acabaram sendo proibidos e assim o “encontro das águas” passou a ser realizado na cidade de Praia Grande – SP.


Iemanjá agora é POP

Depois da mudança a Festa de Iemanjá ganha força e toma uma proporção enorme, atraindo diversas tendas e médiuns que partilhavam do modelo de festividade iniciado por Pai Jaú.
Em 1969 a festa é oficializada pelo prefeito regente e se torna cada vez mais popular. Segundo o tabloide Integração Umbandista, em seu auge – meados de 1979 – o evento chegou a atrair mais de 1 milhão de pessoas de todas as regiões do país.
Bom, o entendimento da origem da popularização dos ritos umbandistas no final de ano explica boa parte dos costumes que acabaram se fincando nas camadas populares e que são reproduzidos até hoje.
O ‘pular 7 ondas’ está nessa categoria de ritos frequentemente realizados durante às homenagens dedicadas a Mãe Iemanjá no 31 de Dezembro, no entanto, cada vertente tem a liberdade de conceber à ele um fundamento, mas na maioria das vezes ele alude à purificação do corpo e espírito, a devoção aos orixás em especial à Iemanjá que é dona das águas salgadas, a renovação de um ciclo e às 7 linhas de Umbanda.

O número 7 é por excelência parte da cultura de Umbanda, sendo que, dentro da tradição entendemos as Sete Linhas de Umbanda como os 7 sentidos da vida ou as 7 qualidades de Deus que são representados pelos 7 Orixás ou Tronos Divinos (Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô, Ogum, Obaluaiê e Iemanjá).

Não se sabe ao certo a data oficial em que o pular 7 ondas foi inaugurado e nem quem deu os primeiros saltos na beira do mar, o que sabemos é que isso já está tão enraizado na cultura popular que é normal que alguém o realize sem nem imaginar que com esse ato está saudando também a dona daquele ponto de força, o mar.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O Batismo na Umbanda





Hoje vamos falar sobre esse tema bem interessante que é o Batismo de Umbanda. Muitas dúvidas ainda rondam esse tema. Mas compreendendo melhor, podemos ter a ciência da importância que ele representa em nossa jornada.

A cerimômia de batizado acontece de diferentes formas nas diversas religiões. No Judaísmo, conhecido como bar-mitzvá ou Bat-mitzvá, acontece de formas distintas segundo o sexo da criança e é necessário para a iniciação religiosa dos fiéis. Para o Islamismo, batizar é fazer com que o bebê escute em primeiro lugar a palavra de Deus, que é proferida ao ouvido da criança após seu nascimento. Em seguida deve ser distribuído aos pobres o mesmo peso da criança em prata. No Budismo, o ritual é realizado na fase adulta, quando durante um ano a pessoa se prepara para receber um novo nome e sua ordem na linhagem de Buda. No protestantismo, a criança a partir dos 10 anos ou o adulto, passa por uma cerimônia onde precisa ser imerso totalmente em água para receber o sacramento. Para o Candomblé, o Batismo acontece numa cerimônia conhecida como o dia de dar o nome, ou seja, dizer qual o Orixá da criança, a qual é banhada com óleos, mel e outros líquidos. No Catolicismo, o sacramento confirma que a criança é católica e que pertence a Igreja, pois o batismo é a porta de entrada para a religião, na qual o padre faz o sinal da cruz sobre a criança, unta seu peito com óleo e derrama água sagrada sobre sua cabeça. No Kardecismo não há batismo, pois eles dizem que não realizam rituais.

Como vemos, cada um tem a sua forma de se referir à cerimônia, com seus significados e liturgias. Em todas as religiões do mundo, o batismo é sem dúvida um sacramento primordial, cada um com seus rituais atendendo a vontade de Deus para com seu filho Jesus. O importante é que todas aproximam de Deus aquele que é batizado. Na Umbanda não acontece diferente. O Batismo vem como uma forma de unir o filho ao Pai, através dos elementos da natureza que energizam e consagram o amor divino em nossas vidas.

"Batizar" vem de uma palavra grega que significa "mergulhar". Tem por definição o recomeço, o novo nascimento, a inserção no Reino de Deus. Batizar é acordar para a religião a qual você se propõe seguir e adorar. Ao ter a cabeça lavada pela água sagrada, o cristão purifica suas energias para o seu próprio renascer espiritual, com a consciência de seu caminho. O Batismo dentro da Umbanda aparece como sacramento indispensável, pois só após realizá-lo, o médium terá uma vida religiosa completa. O recebimento deste sacramento marca o momento em que Oxalá consagra os filhos adeptos, como forma de protegê-los contra o mal e contra a negatividade.

É importante entendermos que o ritual fundamenta-se na limpeza áurica e na ativação dos chacras. A água realiza a limpeza, a purificação. Jogada normalmente sobre a cabeça, na altura do chacra coronário, ativa este chacra promovendo uma unificação com as forças espirituais superiores. Na Umbanda, além de ativarmos a ligação do chacra coronário com a força de Oxalá, normalmente consagramos ainda a cabeça às energias da natureza, promovendo então, não só a limpeza espiritual como o fortalecimento e o equilíbrio da relação matéria-espírito. Além disso, os outros chacras também recebem imantação, garantindo o fechamento destes às forças negativas e seu ativamento somente para a entrada de energias positivas e benéficas.

No batismo de Umbanda, os filhos indicam padrinhos para orientá-los no caminho da espiritualidade, sendo que estes podem ser irmãos encarnados ou guias espirituais, os quais serão devidamente representados por seus médiuns na hora da consagração. Os padrinhos são muito importantes na cerimônia do batismo, são eles se interessarão pelo desenvolvimento espiritual da pessoa. Geralmente os padrinhos são os responsáveis, juntamente com os pais, pelo ensino da religião. Não existe a obrigatoriedade dos padrinhos na Umbanda serem Umbandistas. Cabe aos pais decidirem ou ao adulto a ser batizado escolher seus padrinhos. O que é importante é que os padrinhos ao menos respeitem e compartilhem da intenção do sacramento, fazendo suas promessas com toda sinceridade e conscientes do seu papel.

O batismo dentro da Umbanda tem por finalidade regular a faixa vibratória da pessoa (adulto ou ainda criança) para que durante a sua vida terrena, ela possa ter uma receptividade para as boas vibrações. Assim, afirma-se que a idade ideal para que o batismo seja realizado é preferencialmente das 7 semanas após o nascimento até os 7 anos de idade. Mas após esta idade também é importante sua realização, pois a proteção é sempre bem vinda durante toda a vida. Afinal de contas, sempre é tempo de despertarmos para a importância da fé em nossa jornada e, se tivermos auxílio de guias protetores, nosso caminho será ainda mais iluminado pela proteção daqueles que nos querem bem.

Segundo a Federação de Umbanda do Brasil, ainda são poucos os médiuns que são batizados com plena sabedoria do verdadeiro significado do batismo. É muito comum médiuns umbandistas serem batizados sem nenhum tipo de consciência sobre o quanto é importante esse sacramento. Dirigentes espirituais precisam perguntar aos seus filhos se é isso mesmo que eles desejam, preparando ou explicando o que significa esse ritual. Ao se batizarem, os Umbandistas criam uma ligação muito forte com o Oxalá e seus Orixás. O batismo é um ato simples, porém muito importante, pois é a porta de entrada da benção Divina de Oxalá e dos Orixás.

Cada chefe de terreiro dá suas instruções para o ritual, pois a liturgia da cerimônia depende ainda da linha e da falange que comanda a casa umbandista e sua forma de trabalho, mas sempre mantendo os mesmos fundamentos relacionados ao sacramento. O ritual pode ser praticado dentro do próprio terreiro como também na cachoeira, ou outro local que tenha forte carga de energias da natureza, como uma cachoeira, por exemplo. Os principais elementos utilizados pela liturgia de Umbanda no Batismo são a água purificadora de Oxalá, para fazer a lavagem da cabeça, filtro central de energia espiritual; A vela de cera, cuja chama é a Luz Divina que nos mostrará o caminho do bem e a pemba, para fazer imantação dos nossos centros energéticos, nos protegendo contra os fluidos negativos. Outros elementos são adicionados à medida que o condutor da cerimônia verifica a necessidade.

Na Umbanda não se acredita no pecado em premiações ou punições após a morte; Crê-se que a vida pode ser boa e deverá ser levada com prazer e alegria. Por isso, o Batismo não deve ser entendido como a salvação da alma. Se o ser humano é feito a imagem e semelhança de Deus, como poderia a criança nascer sem as graças divinas? Ou um adulto não ser perdoado, mesmo com o arrependimento sincero de suas próprias faltas? O Batismo não é a condição para que alguém mereça ingressar no reino dos Céus. É apenas uma forma de proteção nesse mundo de provas e expiações.

A pessoa que recebe o Batismo de Umbanda não é obrigada a ter um vínculo definitivo com a religião. Ela apenas roga a proteção dos Orixás e dos guias espirituais para si. Recebe a ternura da benção dos vovôs e vovós e a firmeza de conduta dos caboclos de pena, com o objetivo de dar proteção e de anunciar a nova vida. Vida esta que futuramente decidirá seu destino religioso sem amarras, mas abençoada e protegida, independente desta escolha. 

Para encerrar nosso estudo do dia de hoje, relembro aquele ponto que costumamos cantar que diz assim: “a Umbanda tem fundamento é preciso preparar…”. Desta forma é importante sempre ter em mente que os fundamentos de Umbanda são formas de canalização de energia para que possamos lidar com as situações que encontraremos durante a missão que viemos cumprir na Terra. Assim, é preciso trabalhar, estudar, organizar, estruturar e sentir a Umbanda através do entendimento do que praticamos. Receber a bênção do batismo de Umbanda é ser portador da missão de transmitir a palavra de Deus através de ensinamentos de fé, amor e caridade. 

Assim irmãos... Encerro o texto de hoje, rogando ao Pai sua proteção em todos os momentos e agradecendo a Deus a oportunidade de ter ao nosso lado seus Anjos de Luz, que nos orientam, nos escutam e nos aconselham, assim como prometeram no momento que nos receberam como seus afilhados. 

E você que ainda não foi batizado... Tá esperando o que para procurar seu dirigente e pedir para receber essa bênção tão importante????



Fonte:http://www.ceenc.com.br/2012/08/estudo-de-grupo-do-ceenc.html

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Quando e como surgiu a Umbanda?


Em 15 de Novembro de 1908 manifestou-se na Federação Espírita de Niterói o espírito que anunciou a religião de Umbanda.


Pelo intermédio de Zélio Fernandino de Moraes o espírito se postou e logo declarou-se como Caboclo brasileiro. Neste diálogo várias questões são abordadas, inclusive sobre a forma com o que o índio estaria se vestindo. Pai Ronaldo Linares, uma das pessoas mais próximas de Zélio foi incumbido da missão de disseminar a história do dia em que uma nova religião foi proclamada, e é ele que a partir desse designo passa a relatar os fatos tal como ocorreram na ocasião.


A Federação Espírita (onde ocorreu a primeira manifestação do Caboclo 7 encruzilhadas) na época era presidida por José de Souza, que questionou sobre as vestes clericais – em referência a integrantes da igreja católica – que o espírito do então Caboclo se vestia.


Respondendo com firmeza, declarou:


“O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida, e acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas, em minha última existência física Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um Caboclo brasileiro.”

Caboclo das 7 Encruzilhadas


Mas, o que poucos sabem é que Gabriel Malagrida também viveu no Brasil. Padre, missionário, pregador assíduo de seus dogmas, nasceu em Milão e peregrinou por entre suas missões no Brasil e Portugal. Em solo brasileiro, aprendeu dialetos indígenas, e viveu com diversas tribos. Acabou tendo contato com os principais xamãs e com os problemas que assolavam e muitas vezes dizimavam algumas populações indígenas. Mesmo correndo risco de vida e enfrentando a resistência de alguns componentes das tribos, efetuou grandes trabalhos levando sempre a sua espiritualidade a quem necessitava.


Fundou diversas instituições no norte do país até que em 1750 resolve partir para Lisboa em busca de subsídios para possibilitar e a continuidade dos trabalhos realizados. Em suas iniciativas, tinha como objetivo conceber autonomia espiritual, material e mental aos indígenas. Porém, suas ações não agradaram muito a alguns representantes políticos, e logo o padre começou a ser perseguido.


Foi acusado de regicídio, exilado e por fim entregue a Inquisição. Gabriel Malagrida morreu em 21 de Setembro de 1761, condenado a fogueira em um auto-de-fé. Amanhã 15 de Novembro, completam-se 108 anos desde que o espírito manifestado como Caboclo da Sete Encruzilhadastrouxe consigo a mensagem que uma nova religião estava nascendo. Religião esta que seria composta pelas mais variadas formas de ser, sentir e se relacionar e que mais tarde agregaria o nome de Umbanda.


Consciente de sua missão, Caboclo das 7 Encruzilhadas indagou que a Umbanda seria a manifestação de todos os espíritos que tinham consigo uma grande sabedoria e ancestralidade, porém, não lhe eram permitido espaço dentro das religiões existentes. Visto que em outras crenças, o valorizado eram espíritos ditos como mais evoluídos pelo o que foram em terra.



Por que não podem nos visitar humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além?



Caboclo da Sete Encruzilhadas


Para tal, o que realmente importava era o trabalho realizado, a caridade, o amor e o respeito ao sagrado. Tanto o caboclo brasileiro como padre católico carregam consigo esta mesma mensagem. O Brasil é um dos países mais miscigenados que existe e sendo assim, a Umbanda surge para possibilitar que essas pluralidades possam ser vividas, ouvidas e ensinadas em terra.


Fonte: https://umbandaead.blog.br/2016/11/14/quando-e-como-surgiu-a-umbanda/

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Coragem e fé que me sustenta!




Coragem e Fé que me sustentam atendem por Umbanda.

É nela que encontro coragem para seguir nos caminhos da vida.

Cada Orixá e cada entidade de trabalho é um incentivo para que eu não esmoreça e enfrente as adversidades da vida.

É em Pai Ogum que encontro determinação e coragem.

É em Pai Oxóssi que encontro o auto conhecimento, o remédio para os males que possam me atingir.

É em Pai Oxalá que encontro paz, acalanto e perdão pelas minhas imperfeições.

É nos Êres que encontro o sorriso e alegria para viver.

É em Exu que encontro a superação (sempre com coragem).

É em Pombagira que encontro palavras para me reerguer sempre que caio.

Eu poderia citar todos os Orixás e todas as entidades, pois cada um tem qualidades e atributos para sustentar todas as pessoas.

Todo umbandista deve enxergar a religião como um religar-se com o Divino.

Nos momentos que mais estamos necessitados, é que precisamos nos religar, e através das Entidades e Orixás, nos religaremos a Deus e encontraremos a paz em nosso ser, um caminho para a coragem.

Não entendo, como algumas pessoas podem dizer que se afastam dos Terreiros que frequentam por estar passando por problemas diversos…

Se afastam dizendo que não vão conseguir incorporar, estão de cabeça quente, desequilibrados emocionalmente, e etc.

Se esquecem que a Umbanda é muito mais que incorporar. É ter coragem para isso!

Quando um médium não está bem, basta avisar aos sacerdotes e estes devem entender que o filho precisa se reequilibrar e deixar as energias que movimentam o terreiro purificar e reequilibrar o filho.

Não consigo entender alguém que se afasta de sua religião para melhorar, pois é Ela que deveria te sustentar em todos os momentos.

Ouso dizer que muitas pessoas devem estar na religião errada, como pode se afastar de sua fé para melhorar?

Não seria sua fé que deveria te sustentar?

Eu confio em minha fé, sou Umbandista em todos os momentos!

A Umbanda me sustenta nos caminhos da vida.



Fonte: http://umbandaeucurto.com/para-sempre-umbanda/2016/umbanda/coragem-fe-sustenta/

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Salve os Erês !!!


As Entidades Espirituais que incorporam em nossos terreiros de Umbanda com o arquétipo infantil e que formam a Linhas das Crianças, Erês ou Ibejada são representantes da alegria, da sinceridade, da inocência e de tudo que é puro, no entanto, essa Linha, e toda sua potência, é pouco conhecida pelos próprios umbandistas que, na maioria das vezes, só as veem como crianças peraltas ou submissas. Consequentemente os trabalhos religiosos com essa Linha ficam cada vez mais distantes dos terreiros ou ainda ligadas somente ao sentido da festa, das guloseimas, da bagunça e da extravagância em todos os sentidos.

Na realidade essas Entidades são Seres Espirituais mestres nos conceitos do Bem e do Puro e muito ajudam para evolução moral dos médiuns ensinando que a única forma de se levar vantagem é sendo puro, como é a criança, também não admitem a mentira nem a maldade. Os filhos de Ogum, como também são conhecidos, têm a presença mais alegre da Umbanda, trazendo sempre renovações e esperança, reforçando a natureza pura e ingênua dos seres humanos. É a linha que mais cativa as pessoas pelo ar inocente que traz na face do médium.

Saiba que é brincando e rindo que efetuam maravilhosos trabalhos de descarga fluídica, aliás, é no sacudir dos braços e pernas que atiram seus fluidos naturais afastando, assim, espíritos de baixa vibração que estejam prejudicando as pessoas. Com esses movimentos também desagregam energias densas enraizadas no corpo astral e áurico que proporcionam doenças no corpo e na alma.

A fala com as ‘Crianças’ é sempre cheia de brincadeiras e de “ingenuidade”, no entanto são profundas, sábias e altamente reveladoras, mesmo porque o que mais estimulam em nós é o autoconhecimento. Além disso, uma das suas maiores capacidades é nos fazer rir e é nesse riso contagiante que “eles” curam nossas amarguras.

As ‘Crianças’ gostam de sentar no chão, junto à terra, fonte de energia transmutadora e curadora, suas preces são cantadas em melodias alegres fazendo referência a Papai e Mamãe do Céu e em mantos sagrados. Seus pontos riscados são curtos e bastante cruzados pela Flecha, Coração, Chave e Raiz … são verdadeiros Magos Naturais. Quem já não ouviu a frase: “O que os Filhos das Trevas fazem, qualquer criança desfaz. O que a criança faz (no sentido do Bem, é claro) ninguém desfaz ou interfere”.

A festa das Crianças na Umbanda, conhecida como Festa de São Cosme, Damião e Doun, tem duração de um mês, iniciando em 27 de setembro (Cosme e Damião) e terminando em 25 de outubro (Crispim e Crispiniano).

Aproveite o dia, a energia, a vibração e todo o entusiasmo dessas maravilhosas Entidades, de uma pausa para pensar, abrir o coração e entenda, embora de forma simples e pura, as profundas e sábias mensagens desses verdadeiros SÁBIOS – Senhores da Pureza Cósmica. Aproveite também e determine algo especial para você. Determine que seu lado infantil e puro sempre influencie suas decisões e seus relacionamentos.

E, se for à uma festa de Cosme e Damião em um Terreiro de Umbanda, aproveite ao maximo a oportunidade e todos os ensinamentos e leve para casa, além dos doces e bolos, o exemplo de alegria dessa encantadora falange de Yori!

Salve as Crianças! Salve os Erês!

Salve Cosme e Damião!

Salve Oni beijada!

YORI: um dos raros termos sagrados que se manteve sem nenhuma alteração. Esse termo, assim como Yorimá, era de pleno conhecimento da pura Raça Vermelha, só se apagando do mental do Ser humano após a catástrofe da Atlântida. Ele ressurgiu através do Movimento Umbandista, em sua mais alta pureza e expressão. Traduzindo este vocábulo através do alfabeto Adâmico, temos: A Potência Divina Manifestando-se; A Potência dos Puros.

BEIJADA: Nome dado no Brasil, às entidades que se apresentam sob a forma de crianças. São, conforme a crença geral, nos cultos afro-brasileiros e na Umbanda, as falanges dos Orixás gêmeos africanos IBEJIS

IBEJI : (ib: “nascer”; eji: “dois”) Orixás gêmeos africanos que correspondem, no sincretismo afro-brasileiro, aos santos católicos Cosme e Damião. Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo.

DOIS DOIS: Nome pela qual são designados os santos católicos Crispim e Crispiniano; os santos Cosme e Damião; o Orixá africano IBEJI e a falange das crianças na Umbanda.

ERÊ: Vem do yorubá iré que significa “brincadeira, divertimento”. Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, Dois-Dois, são Guias ou Entidades de caráter infantil que incorporam na Umbanda.

fonte: http://www.minhaumbanda.com.br/blog/?p=2304

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Carma





O Dr. Joaquim Murtinho diz: a saúde do corpo é reflexo da harmonia espiritual. 

Quando nossa alma está tranquila, o nosso corpo está em paz. Mas o que é uma alma em paz?

A mente aflita emite raios de energia desordenada, lançados como dardos de consequências deploráveis e nocivos para as funções orgânicas. Mas o que é uma mente aflita? Possuímos uma mente aflita?

Todos os sentimentos que nos ponham em desarmonia com o ambiente, causam desequilíbrio e nos colocam em rota de colisão com o ambiente em que estamos vivendo, gerando emoções que desorganizam as colônias celulares do nosso organismo e também o tecido sutil da alma, agravando nosso estado psicológico.

Assim notamos um aumento súbito de crianças com mais problemas de saúde.

Conforme estatísticas do conselho de medicina, o Brasil é um dos maiores consumidores de antidepressivos.

60% de licenças médicas entre os juízes de direito são psiquiátricas. A maioria dos médicos de pronto socorro, sobretudo UTI, sofre de depressão ou adquirem algum vício, principalmente o alcoolismo, devido ao fato de lidarem constantemente com a morte. 

Estamos cada vez mais doentes, tomando mais remédios. Existe uma lei divina regendo nossos destinos. Toda vez que provocamos sofrimento em nosso semelhante, geramos para nós e assim perdemos a nossa liberdade, pois estamos sujeitos à lei de causa e efeito (carma) que é uma lei limitadora da liberdade. Ex: se abusarmos do álcool e da alimentação sobrecarregando o fígado e estômago, em outra encarnação, teremos problemas no fígado e no estômago, evitando assim, a recaída nos abusos dessa ordem, pois a doença é um limitador.

Quem abusa dos sentimentos alheios, na encarnação seguinte, terá problemas de relacionamento (perda da liberdade).

Os sentimentos da raiva, revolta, tristeza, etc., se não forem combatidos, geram a falta de fé, descrença em Deus, mais tensão nervosa que se reflete muitas vezes em doenças desconhecidas.

Nossa revolta e inaptidão em família e perante a vida gera sentimentos ocultos, energias poderosas que afetam o processo de renovação e multiplicação das células no corpo físico.

O sentimento de ingratidão gera em torno de nós, um magnetismo que afeta nossos relacionamentos. Ninguém gosta da pessoa ingrata, pois ela não emite bons sentimentos. Quando nosso coração vibra em gratidão, alimentamos o sentimento de resignação, brota em nós uma luz irresistível.

Paciência, bondade, amor, são contagiantes e alteram todo o ambiente, incluindo o corpo.

Alergias, sinusite, rinite, etc., são energias materializadas como doenças, onde os remédios vão tratar os efeitos e não a causa. As alergias são frutos da inadaptação ao ambiente reencarnatório.

Processos doentios são advindos da obsessão, porque a mente enferma atrai outras mentes enfermas. As mentes sadias atraem outras mentes sadias.

A mente atrai; porém o nosso sistema nervoso não suporta a sobrecarga de companhias espirituais em desalinho, assim temos os casos de síndrome do pânico, depressões, tristezas, alergias e muito mais. Isto, porque todos os processos enfermiços da mente, cedo ou tarde, se refletirão no corpo físico como doenças. Os antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos e a medicina humana, que é uma dádiva de Deus, atuam nos efeitos e não nas causas (pois estão nos sentimentos). 

Quanto mais erramos, mais adoecemos, o que leva milhões a se algemarem a preocupações desnecessárias e perda de tempo evolutivo, porque não há educação do espírito.

Adoecemos algumas vezes por improvidência e excessos de todo tipo.

Sempre nos referimos a Jesus como médico da alma, porque estudar o Evangelho com alma deixando que Ele verdadeiramente penetre o nosso coração, ele (o Evangelho) se torna uma universidade do sentimento, penetra no coração como o sol e faz com que nos ajoelhemos em sinal de respeito e gratidão a Deus.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Obaluayê




Obaluayê é a Divindade que está assentada na Linha da Evolução na Umbanda. Representa e irradia a Vibração Divina que promove a Evolução contínua de todos os seres e elementos da Criação. Pai Obaluayê irradia o tempo todo sagradas energias que nos fazem dar um passo à frente, inclusive transmutando ou modificando de forma positiva todo e qualquer sentimento, pensamento ou energia contrária à nossa evolução. Essa atuação se dá por meio da luz violeta, essencialmente transmutadora, a freqüência mais alta de todas as cores do arco-íris.

Muito associam Obaluayê apenas à idéia do Orixá Curador, “o Médico Sagrado da Umbanda”, que Ele realmente é. Mas Obaluayê representa mais que isto: Ele é o Senhor das Passagens de um plano para outro, de uma dimensão para outra, de um estado ou condição para outra, e mesmo do espírito para a carne e vice-versa, pois atua diretamente no processo reencarnatório. É um Trono Divino que cuida da Evolução dos seres, das criaturas e das espécies, por meio da irradiação dos Fatores Transmutador e Evolucionista.

Transmutar significa transformar o negativo em positivo. Já o seu Fator Evolucionista ou Evolutivo tem por função criar as condições necessárias para a evolução dos seres. Obaluayê nos dá sustentação energética Divina para que alcancemos o próximo passo do caminho evolutivo, para a subida dos degraus do caminho da Evolução. Ele nos encaminha para dar o passo à frente e deixar para trás o que não serve mais para a nossa vida, despertando em nosso íntimo o desapego, a perseverança, a humildade, a paciência, a sabedoria adquirida com a experiência.


Irradiação: Transmutação e Evolução
Campo de atuação: Transformação e Evolução dos seres
Elementos: Terra e Água
Cores: Violeta (também o branco, o prateado e o bicolor branco/preto)
Data comemorativa: 16 de agosto
Dia da semana: Segunda-feira
Sincretismo: São Roque

Características dos Filhos de Obaluayê


Em geral, cordiais, falantes, criativos, elegantes e generosos. Apreciam a boa mesa, as bebidas suaves, as festas, as roupas elegantes, as viagens e reuniões animadas e companhias interessantes. Gostam de ser o centro das atenções. Não apreciam a monotonia, o silêncio, a solidão, as companhias tolas ou inconsequentes e o trabalho repetitivo ou em ambientes fechados.

Os Filhos de Obaluayê são pessoas com semblante sério, com raros momentos de descontração. Adoram fazer caridade e aliviar o sofrimento das pessoas e são capazes de abstrair de seus próprios interesses e necessidades em favor dos outros. Por isso, têm muita afinidade com profissões ligadas à área da saúde.

Geralmente apaixonam-se por pessoas totalmente diferentes de si próprias, geralmente mais extrovertidas. Tambémnão são de levar desaforos para casa e nem de falar pelas costas. A solidão é muito peculiar a essas pessoas devido à sua própria personalidade.

São pessoas firmes e decididas, que lutam para conseguir seus objetivos. Independentes, têm a necessidade de crescer por suas próprias forças e recursos.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Nanã




A mais velha divindade do panteão, associada às águas paradas, à lama dos pântanos, ao lodo do fundo dos rios e dos mares. O único Orixá que não reconheceu a soberania de Ogum por ser o dono dos metais. É tanto reverenciada como sendo a divindade da vida, como da morte. Seu símbolo é o Íbíri - um feixe de ramos de folha de palmeira  com a ponta curvada e enfeitado com búzios. 
Nana é a chuva e a garoa. O banho de chuva é uma lavagem do corpo no seu elemento, uma limpeza de grande força, uma homenagem a este grande orixá. 
Nanã Buruquê representa a junção daquilo que foi criado por Deus. Ela é o ponto de contato da terra com as águas, a separação entre o que já existia, a água da terra por mando de Deus, sendo portanto também sua criação simultânea a da criação do mundo.

  1. Com a junção da água e a terra surgiu o Barro.
  2. O Barro com o Sopro Divino representa Movimento.
  3. O Movimento adquire Estrutura.
  4. Movimento e Estrutura surgiu a criação, O Homem.
Portanto, para alguns, Nanã é a Divindade Suprema que junto com Zambi fez parte da criação, sendo ela responsável pelo elemento Barro, que deu forma ao primeiro homem e de todos os seres viventes da terra, e da continuação da existência humana e também da morte, passando por uma transmutação para que se transforme continuamente e nada se perca. 
Esta é uma figura muito controvertida do panteão africano. Ora perigosa e vingativa, ora praticamente desprovida de seus maiores poderes, relegada a um segundo plano amargo e sofrido, principalmente ressentido. 
Nanã não tolera traição, indiscrição, nem roubo. Por ser Orixá muito discreto e gostar de se esconder, suas filhas podem ter um caráter completamente diferente do dela. Por exemplo, ninguém desconfiará que uma dengosa e vaidosa aparente filha de Oxum seria uma filha de Nanã "escondida". 
Nanã faz o caminho inverso da mãe da água doce. É ela quem reconduz ao terreno do astral, as almas dos que Oxum colocou no mundo real. É a deusa do reino da morte, sua guardiã, quem possibilita o acesso a esse território do desconhecido. 
A senhora do reino da morte é, como elemento, a terra fofa, que recebe os cadáveres, os acalenta e esquenta, numa repetição do ventre, da vida intra-uterina. É, por isso, cercada de muitos mistérios no culto e tratada pelos praticantes da Umbanda e do Candomblé, com menos familiaridade que os Orixás mais extrovertidos como Ogum e Xangô, por exemplo. 
Muitos são portanto os mistérios que Nanã esconde, pois nela entram os mortos e através dela são modificados para poderem nascer novamente. Só através da morte é que poderá acontecer para cada um a nova encarnação, para novo nascimento, a vivência de um novo destino – e a responsável por esse período é justamente Nanã. Ela é considerada pelas comunidades da Umbanda e do Candomblé, como uma figura austera, justiceira e absolutamente incapaz de uma brincadeira ou então de alguma forma de explosão emocional. Por isso está sempre presente como testemunha fidedigna das lendas. Jurar por Nanã, por parte de alguém do culto, implica um compromisso muito sério e inquebrantável, pois o Orixá exige de seus filhos-de-santo e de quem a invoca em geral sempre a mesma relação austera que mantém com o mundo. 
Nanã forma par com Obaluaiê. E enquanto ela atua na decantação emocional e no adormecimento do espírito que irá encarnar, ele atua na passagem do plano espiritual para o material (encarnação), o envolve em uma irradiação especial, que reduz o corpo energético ao tamanho do feto já formado dentro do útero materno onde está sendo gerado, ao qual já está ligado desde que ocorreu a fecundação.
Este mistério divino que reduz o espírito, é regido por nosso amado pai Obaluaiê, que é o "Senhor das Passagens" de um plano para outro.
Já nossa amada mãe Nanã, envolve o espírito que irá reencarnar em uma irradiação única, que dilui todos os acúmulos energéticos, assim como adormece sua memória, preparando-o para uma nova vida na carne, onde não se lembrará de nada do que já vivenciou. É por isso que Nanã é associada à senilidade, à velhice, que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas que vivenciou na sua vida carnal.
Portanto, um dos campos de atuação de Nanã é a "memória" dos seres. E, se Oxóssi aguça o raciocínio, ela adormece os conhecimentos do espírito para que eles não interfiram com o destino traçado para toda uma encarnação.
Em outra linha da vida, ela é encontrada na menopausa. No inicio desta linha está Oxum estimulando a sexualidade feminina; no meio está Yemanjá, estimulando a maternidade; e no fim está Nanã, paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos.
Esta grande Orixá, mãe e avó, é protetora dos homens e criaturas idosas, padroeira da família, tem o domínio sobre as enchentes, as chuvas, bem como o lodo produzido por essas águas.
Quando dança no Candomblé, ela faz com os braços como se estivesse embalando uma criança. Sua festa é realizada próximo do dia de Santana, e a cerimônia se chama Dança dos Pratos.


Origem

Nanã, é um Orixá feminino de origem daomeana, que foi incorporado há séculos pela mitologia iorubá, quando o povo nagô conquistou o povo do Daomé (atual Republica do Benin) , assimilando sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabelecida.
Resumindo esse processo cultural, Oxalá (mito ioruba ou nagô) continua sendo o pai e quase todos os Orixás. Iemanjá (mito igualmente ioruba) é a mãe de seus filhos (nagô) e Nanã (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos, nunca se questionando a paternidade de Oxalá sobre estes também, paternidade essa que não é original da criação das primeiras lendas do Daomé, onde Oxalá obviamente não existia. Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). Tentou-se, então, acertar essa cronologia com a colocação de Nanã e o nascimento de seus filhos, como fatos anteriores ao encontro de Oxalá e Iemanjá. 
É neste contexto, a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroco (ou Tempo), Omolu (ou Obaluaiê) e Oxumarê.

Características
CorRoxa ou Lilás (Em algumas casas: branco e o azul)
Fio de ContasContas, firmas e miçangas de cristal lilás.
ErvasManjericão Roxo, Colônia, Ipê Roxo, Folha da Quaresma, Erva de Passarinho, Dama da Noite, Canela de velho, Salsa da Praia, Manacá. (Em algumas casas:  assa peixe, cipreste, erva macaé, dália vermelho escura, folha de berinjela, folha de limoeiro, manacá, rosa vermelho escura, tradescância)
SímboloChuva.
Pontos da NaturezaLagos, águas profundas, lama, cemitérios, pântanos.
FloresTodas as flores roxas.
EssênciasLírio, Orquídea, limão, narciso, dália.
PedrasAmetista, cacoxenita, tanzanita
MetalLatão ou Níquel
SaúdeDor de cabeça e Problemas Intestino
PlanetaLua e Mercúrio
Dia da SemanaSábado (Em algumas casas: Segunda)
ElementoÁgua
ChakraFrontal e Cervical
SaudaçãoSaluba Nanã
BebidaChampanhe
AnimaisCabra, Galinha ou Pata. (Brancas)
ComidasFeijão Preto com Purê de Batata doce. Aberum. Mungunzá
Numero13
Data Comemorativa26 de julho
Sincretismo:Nossa Senhora Santana
Incompatibilidades:Lâminas, multidões.
Qualidades:Ologbo, Borokun, Biodun, Asainán, Elegbe, Susure




Atribuições



A orixá Nanã rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional dos seres. Atua decantando os seres emocionados e preparando-os para uma nova "vida", já mais equilibrada .

  

As Características Dos Filhos De Nanã

Uma pessoa que tenha Nanã como Orixá de cabeça, pode levar em conta principalmente a figura da avó: carinhosa às vezes até em excesso, levando o conceito de mãe ao exagero, mas também ranzinza, preocupada com detalhes, com forte tendência a sair censurando os outros. Não tem muito senso de humor, o que a faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fosse muito mais velha do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural. Nanã, através de seus filhos-de-santo, vive voltada para a comunidade, sempre tentando realizar as vontades e necessidades dos outros. 
Às vezes porém, exige atenção e respeito que julga devido mas não obtido dos que a cercam. Não consegue entender como as pessoas cometem certos enganos triviais, como optam por certas saídas que para um filho de Nanã são evidentemente inadequadas. É o tipo de pessoa que não consegue compreender direito as opiniões alheias, nem aceitar que nem todos pensem da mesma forma que ela. 
Suas reações bem equilibradas e a pertinência das decisões, mantém-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.
Todos esses dados indicam também serem os filhos de Nanã, um pouco mais conservadores que o restante da sociedade, desejarem a volta de situações do passado, modos de vida que já se foram. Querem um mundo previsível, estável ou até voltando para trás: são aqueles que reclamam das viagens espaciais, dos novos costumes, da nova moralidade, etc. 
Quanto à dados físicos, são pessoas que envelhecem rapidamente, aparentando mais idade do que realmente têm. 
Os filhos de Nanã são calmos e benevolentes, agindo sempre com dignidade e gentileza. São pessoas lentas no exercício de seus afazeres, julgando haver tempo para tudo, como se o dia fosse durar uma eternidade. Muito afeiçoadas às crianças, educam-nas com ternura e excesso de mansidão, possuindo tendência a se comportar com a indulgência das avós. Suas reações bem equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça, com segurança e majestade.
O tipo psicológico dos filhos de NANÃ à introvertido e calmo. Seu temperamento é severo e austero. Rabugento, é mais temido do que amado. Pouco feminina, não tem maiores atrativos e à muito afastada da sexualidade. Por medo de amar e de ser abandonada e sofrer, ela dedica sua vida ao trabalho, à vocação, à ambição social.



Lendas de Nanã
Como Nanã Ajudou na Criação do Homem
Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Orixá tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada. Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Oxalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos Orixá povoou a Terra. Mas tem um dia que o homem tem que morrer. O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é seu.