quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Me chamaram para entrar no Terreiro. E agora?



Queridas leitoras e queridos leitores,
Tenho recebido muitas mensagens de pessoas que estão começando o seu caminho na Umbanda, seja no Brasil ou em outros países, e têm dúvidas sobre algumas questões bastante relevantes. Geralmente as dúvidas que as pessoas colocam são idênticas, ou muito parecidas. Creio que são questões que a maior parte das pessoas que começam na Umbanda têm (eu inclusive!), e por isso, neste texto, resolvi abordar algumas delas.
Longe de mim saber a resposta ideal ou correta para estas ou outras questões da nossa religião. Minha intenção é apenas incentivar a reflexão e, quem sabe, ajudar-vos a encontrar uma resposta nos vossos corações.

1 – Fui convidado/a para integrar a corrente mediúnica de um Terreiro. E agora?
Quando uma pessoa é convidada para integrar a corrente mediúnica de um Terreiro de Umbanda (passar a fazer parte do grupo de médiuns, ficando do lado de dentro de tronqueira), surgem imediatamente muitas dúvidas e anseios. Passar da assistência para o “lado de dentro” é um passo muito grande e têm muitas implicações. Por não saberem exatamente o que isto implica, muitas pessoas ficam em pânico, confusas, amedrontadas, acham que têm a obrigação de aceitar este chamamento e que a vida delas vai mudar radicalmente.
O primeiro conselho que eu posso dar é: tenha calma! Quando este convite é feito, ninguém, em circunstância nenhuma, é obrigado a aceitar. Algumas pessoas não se sentem preparadas ainda ou não se identificam com o Terreiro em questão. Por isso a recusa é totalmente legítima e a vida delas não vai desmoronar (não mesmo!) por causa disso. Por isso, mesmo diante da surpresa, da animação e da excitação pela possibilidade de integrar a corrente mediúnica, é importante ter calma e pensar muito bem nos prós e contras de dar este passo, com calma, com tempo, com o coração.
Agora, falando sobre o que implica passar para o lado de dentro, algumas pessoas acham que implica somente passar a ir de roupa de branca e chegar um pouquinho mais cedo às sessões. Mas não é só isso, de todo! Mais do que tudo, passar para o lado de dentro significa assumir um compromisso, consigo próprio, com a casa, com a família espiritual daquela casa e com as suas próprias entidades. Significa estar interessado e disponível para as atividades de desenvolvimento mediúnico, de caridade, para as Giras e outras atividades daquele Terreiro. Significa, também, estar disponível para organizar, limpar e ajudar nas tarefas de preparação do ambiente para os trabalhos espirituais que são realizados. Aqui também impera a liberdade de cada um, e o seu desenvolvimento vai caminhar conforme o seu interesse e dedicação. Há quem chegue no dia da Gira, coloque a roupinha branca, participe dos rituais e logo a seguir vai embora. Há quem faça tudo isso e, para além, se preocupa em chegar mais cedo para limpar o chão e o Congá, arrumar as flores, organizar a assistência, fazer a sustentação energética durante a Gira, ler e estudar a religião de Umbanda, propor matérias interessantes para serem estudadas no Terreiro, etc. O certo e errado, melhor ou pior em tudo isso, caberá à consciência e coração de cada um dizer.

2 – O que fazer parte de um Terreiro de Umbanda vai mudar na minha vida?
Passar a fazer parte de um Terreiro de Umbanda não significa que você vai ter que fazer dezenas de oferendas por semana, mudar a forma como se veste no dia-a-dia, andar por aí com 50 guias no pescoço, deixar de ter vida social ou passar a incorporar espíritos sem nenhum controle, em qualquer lugar. Não é nada disso. Quando fazemos parte de um Terreiro de Umbanda, temos a oportunidade de vivenciar mais intensamente os fundamentos desta religião e o intercâmbio entre o mundo físico e o mundo espiritual, que nos proporciona uma enorme ampliação da consciência. Mais do que qualquer outra coisa, a Umbanda tem como objetivo auxiliar os seus seguidores a compreender e aceitar que todos os espíritos são uma expressão divina, que a vida é muito mais do que isso que vemos e tocamos no plano físico, que a caridade é uma forma de redenção e de perdão, que é possível e desejável agirmos sempre com amor, respeito e entendimento do próximo e de nós mesmos/as.
Fazer parte de um Terreiro de Umbanda é tentar, todos os dias, ir para o trabalho e não pensar mal do colega, é perdoar a ofensa que um amigo lhe dirigiu, é ir para a Gira e não fazer fofoca dos irmãos de Terreiro, é compreender e respeitar os problemas que as pessoas da assistência trazem e para os quais pedem ajuda. Se, para além disso, você quiser realizar as oferendas, andar com uma ou outra guia, optar (sim, optar, não ser obrigado) a vestir sempre uma peça de roupa branca, ou parar de fumar, ou de beber álcool, excelente, tudo isso vai contribuir para o seu crescimento! Mas não sinta que tudo isso seja uma obrigação.
Isso tudo parece muito clichê, mas não se pode fugir disso. Seguir os fundamentos da Umbanda significa trabalhar para ser uma pessoa melhor nesta encarnação, com a ajuda daquilo que se vivencia no Terreiro, das experiências de incorporação, do aprendizado da religião, das mensagens das entidades espirituais, e assim por diante.

3 – Como saber se o Terreiro que eu frequento é o certo para mim?
Esta questão é muitíssimo frequente. Sobretudo no início, as pessoas sentem muita dificuldade em identificar o que é bom e o que pode ser censurável num Terreiro.
O primeiro aspecto a ter em conta é que os Terreiros de Umbanda podem seguir os mesmo fundamentos religiosos, mas apresentarem grandes diferenças entre si. Alguns podem ser mais africanizados, incorporando fundamentos do Candomblé, outros mais esotéricos, ou com alguns fundamentos do Xamanismo, e assim por diante. Não há certo ou errado em cada um destes exemplos, são todos válidos e a decisão de frequentar um Terreiro mais para um lado ou mais para o outro é de cada um. A Umbanda é uma religião em formação e não existe uma norma a que todos os Terreiros devem seguir, isto dependerá de cada dirigente e do corpo mediúnico.
Para entender o que é importante num Terreiro de Umbanda, é fundamental saber o que é Umbanda. Por isso, estudar os fundamentos da Religião é fundamental e nos ajuda a decidir se queremos seguir as práticas adotadas num ou noutro Terreiro.
Apesar de haver muitas opiniões divergentes, vou enumerar alguns aspectos que, na minha opinião, são censuráveis e sobre os quais você deve ter atenção:
• Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade. Por isso, os trabalhos espirituais não são cobrados dos consulentes. Se o Terreiro que você frequenta ou pretende frequentar cobra entrada das pessoas, ou cobra pelos tratamentos, tenha atenção e analise esta questão de acordo com os fundamentos da religião.
• A Umbanda não realiza trabalhos de amarração amorosa, de magia negativa, de fechamento de caminhos, de vingança ou similares. Existem trabalhos espirituais nestas linhas, são todos possíveis e trazem resultados (mas estarão sujeitos às Leis de Causa e Efeito), mas definitivamente não fazem parte da religião de Umbanda.
• Os médiuns são livres para escolher entrar e permanecer num determinado Terreiro. Se no seu Terreiro existem histórias de pessoas que sofreram represálias por manifestarem a vontade de sair, ou que os médiuns ou dirigentes fizeram trabalhos de magia negativa contra as pessoas que saíram ou se recusaram a entrar, fique alerta e pondere se quer fazer parte deste ambiente.
• A Umbanda não determina que os dirigentes espirituais (Pais e Mães de Terreiro) guardem para si os seus conhecimentos sobre a religião. Dirigentes que se recusam a explicar os rituais, que exigem trabalhos e oferendas dos médiuns sem razão aparente e que se colocam numa posição de superioridade adotam uma postura censurável. Apesar de poderem ter a sua mediunidade mais desenvolvida, ou de terem mais experiência na prática da religião, os dirigentes não são superiores a nenhum médium e é desejável que adotem uma postura de humildade, acolhimento e compreensão quanto a estes, ajudando-os a evoluir no seu caminho e não tentando bloquear o seu crescimento espiritual plantando a ignorância e o secretismo dos rituais.

4 – Onde posso buscar informação sobre a Umbanda?
O estudo da Umbanda é fundamental. Estando no Brasil ou fora, há uma série de cursos, livros, vídeos no Youtube, jornais e revistas online e uma série de outros recursos aos quais podemos recorrer. Procure, vá atrás, hoje em dia não há desculpas!
Compreender o básico das manifestações espirituais também é bastante importante. Por isso, é recomendável, para começar, o estudo das obras de Allan Kardec (especialmente o Livro dos Médiuns e o Livro dos Espíritos), mas sempre tendo em atenção que estes livros falam de alguns aspectos aceitos pela doutrina Espírita, e não pela doutrina Umbandista. É preciso ler com algum juízo crítico e, em caso de dúvida, falar com pessoas mais experientes.
Deixo aqui algumas dicas de estudo:
• Livros de Allan Kardec, que nos ajudam a compreender fenômenos como a mediunidade, a manifestação de espíritos através da matérias, a reencarnação, dentre outros;
• Romances espíritas ou psicografados, que sempre nos dão uma valiosa lição de vida;
• Cursos de doutrina umbandista, como o Curso de Teologia de Umbanda Sagrada do Mestre Alexandre Cumino, trazem um conhecimento muitíssimo profundo sobre a religião;
• Livros do Mestre Rubens Saraceni, todos, sem exceção!

Estes recursos já têm informação para uma vida inteira de aprendizado!

5 – Não sei se quero incorporar, tenho algum receio. Posso ser Umbandista?
Incorporar, incorporar, incorporar. Esta é a grande questão para quem quer fazer parte do mundo umbandista. Ou porque não quer incorporar, ou porque quer incorporar já, agora, sem demora, e quanto mais melhor.
A mediunidade de incorporação é fundamento e parte inseparável da religião de Umbanda, mas não é o seu único recurso. Eu, por exemplo, tenho irmãos de Terreiro que nunca incorporaram, não querem desenvolver a mediunidade de incorporação, e ainda assim realizam um trabalho exemplar nas Giras. Como? Aqui vão alguns exemplos:
• Trabalhos de organização, que são absolutamente essenciais: limpeza, compra de materiais, organização da agenda de trabalhos, organização da assistência e do atendimento dos consulentes. Não tem como fazer um bom trabalho num Terreiro sujo e desorganizado, por isso essas tarefas são importantíssimas. E através da sua dedicação e participação dos trabalhos realizados nas Giras estes irmãos também aprendem muito e crescem espiritualmente.
• Sustentação energética dos trabalhos espirituais, como fazer a sustentação na Tronqueira ou dos consulentes enquanto os médiuns incorporados realizam o seu trabalho de limpeza e aconselhamento.
• Cambonar  (auxiliar os médiuns que estão incorporados), que é um trabalho indispensável. Os cambonos auxiliam os médiuns incorporados providenciando aquilo que eles necessitam para trabalhar (pegar as velas, acender o charuto, entregar a pemba) e também ajudam com a sustentação energética do trabalho da Entidade incorporada. Os cambonos acompanham de perto o trabalho das Entidades e conseguem aprender muito sobre a ritualística da Umbanda e sobre a vida como um todo, através dos trabalhos e aconselhamentos que são passados aos consulentes.

Fonte: http://umbandaeucurto.com/umbanda-na-europa/2015/umbanda/10577/#.VjDKoberTct

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A gira de Boiadeiros


Os conhecedores da terra, dos campos e da vida simples.




Uma das giras mais antigas dentro da Umbanda é a dos nossos queridos Boiadeiros.
Uma manifestação de espíritos daqueles que foram muito acostumados a terra de chão e tocavam o gado pelas estradas do interior de nosso Pais, em condições muito difíceis mas que nunca abalou a adoração desse povo pela lida no campo.

Os Boiadeiros, de um modo geral, utilizam chapéus de vaqueiros, laços de corda e chicotes de couro, são ágeis e costumam chegar aos terreiros com sua mão direita levantada, girando, como se estivesse laçando, esbravejando a inconfundível toada "êeeee boi" como se ainda estivessem tocando seu rebanho.

O que mais agrada um Boiadeiro é uma boa comida da roça, bebidas simples, mas sem dispensar as iguarias do povo mais moderno, afinal, já passaram necessidades suficientes para não precisar mais se privarem de uma boa cervejinha se assim forem ofertados.

A magia de sua gira é inconfundível, as histórias que trazem na bagagem são tão fascinantes como importantes no exemplo que nos exprimem.
Um Boiadeiro traz consigo as lições de um tempo onde o respeito aos mais velhos e a natureza, a família e aos animais, enfim, a boa educação e bons costumes falavam mais alto e faziam muito mais diferença do que nos dias de hoje.

Marranbá che tuá Boiadeiros, é uma das saudações para este povo, ou Chetu, marrumbá Che, ou ainda simplesmente Sarava meu Pai Boiadeiro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O que significa servir um amalá para Xangô?



Xangô, que nos rituais gege-nagô é o Orixa da justiça, do equilíbrio, aquele que decide o certo e o errado, sendo representado principalmente pelo seu raio e o oxé (espécie de machado que corta dos dois lados, como a justiça deve ser, neutra e imparcial).
Possui como principal comida ritual o Amalá, por isso chamada de comida de axé, que deve ser colocado em gamela, quando possível, preparado por um filho de Xangô. Servir o Amalá é sempre um momento de muita emoção, e deve ser de união também, é quando temos a oportunidade de poder compartilhar do axé deste Orixá, com todos os presentes, é se encher de alegrias e forças a cada novo dia, é ter a certeza que Xangô está presente em todos os nossos momentos, nos acompanhando em cada decisão, em cada novo passo em nossa vida diária.
Quando for servido em um Xirê, o preparo do Amalá deve iniciar no dia anterior, com a maceração da mostarda (macerada para reduzir o amargo, característico da folha), para no dia seguinte um filho de Xangô (se houver) fazer o preparo do pirão (preparado a partir de farinha de mandioca crua) e do molho para ser servido. O molho, com a mostarda (folha) é servido sobre o pirão.
Nos rituais gêge-nagô a culinária é de extrema importância, pois o Orixá já está do lado de quem prepara, observando o carinho dispensado, a atenção dada e a dedicação do preparo inicial até a entrega do axé. Não basta fazer, é preciso fazer certo, sem esperar receber nada em troca por isso. É o que chamamos de amor, pelo Orixá, pela religião.
Mais do que servir uma linda oferenda, o "seu coração, deve estar puro", lembrando que o Orixá sabe quando estamos fazendo com o coração, pois não adianta fazer como alguns filhos e Pais de Santo (que nem poderiam ser chamados de Pai) que pedem e abençoam seus filhos pela boca (na frente de outros, para mostrar uma máscara, aquilo que não são) , e pelas costas cortam muitas aves e fazem feitiços para prender seus filhos. A hipocrisia e o desrespeito com os Orixás é o maior problema do batuque. A doença e os problemas futuros que estes recebem é a certeza que o Orixá tudo enxerga e tudo sentencia, nos mostra que Xangô é imparcial, retirando destas casas todos seus filhos que foram vítimas das artimanhas de alguns.
Segundo DaMata (2001), existe diferença entre alimento e comida, e esta última é capaz de identificar quem a come, conforme citação apud de Maciel (2005)
"Dize-me o que comes e te direi qual deus adoras, sob qual latitude vives, de qual cultura nasceste e em qual grupo social te incluis. A leitura da cozinha é uma fabulosa viagem na consciência que as sociedades têm delas mesmas, na visão que elas têm de sua identidade”.
(MACIEL, 2005, p. 50).
O Amalá, identifica Xangô na comunidade onde ele está inserido, fortifica o seu axé, identifica seus membros, e cumpre um compromisso social, pois em um Xirê é aberto a toda a comunidade.
Poder participar é ter a possibilidade de alimentar a sua fé a cada dia. Assim como é fornecido alimento ao corpo, a fé, é o alimento oferecido ao sagrado. Compartilhar o alimento com o sagrado é ter a possibilidade, e ser servido do mesmo alimento que é ofertado ao Orixá, neste caso Xangô.
Quando é degustado pela comunidade e filhos de santo, estamos não somente ingerindo um alimento, mas também resgatando uma ancestralidade, estamos desenvolvendo nossa humildade, já que na sociedade atual não comemos com as mãos, comemos o amalá com as mãos em respeito a Xangô, em respeito aos Orixás e a religião africana.
É crucial que para participar deste ritual os participantes estejam puros, pois sendo Xangô o Orixá da balança, do equilíbrio ele busca a justiça onde ela estiver, inclusive quando seus filhos erram, pois a justiça é feita onde estiver.
Em todo o lugar onde estiver um Babalorixá, uma Yalorixá ou mesmo uma pessoa não iniciada, com certeza, estará também cultuando e resgatando a ancestralidade africana.
É imprescindível que o preparo do Amalá seja realizado com dedicação e pureza no coração, é necessário estar em sintonia com seu Orixá, e esta sintonia somente é alcançada com carinho de quem está preparando o Amalá.
O ritual do Amalá é a oportunidade que todos tem de compartilhar momentos de muita fé e agradecer a Xangô, além de fazer seus pedidos e fortalecer o axé.
Pois o axé é fortalecido com ações corretas a cada dia, axé é uma força, que segundo Santos (2008) "como toda força, pode diminuir ou aumentar. Essas variações estão determinadas pela atividade e condutas rituais".
Daí a importância de uma conduta correta e adequada a religião africana. Não basta ser de religião é preciso viver a religião, e a religião é vivida através de ações diárias com os Orixas, quando se prejudica um filho do axé, estamos prejudicando seu Orixá.
O Amalá para Xangô é o momento onde todos se reunem para desenvolver ainda mais a sua fé, desenvolver o axé e resgatar a ancestralidade de cada um.
Orixá é alegria, é paz e tranquilidade especialmente Xangô, orixá da justiça e do equilíbrio, capaz de tomar decisões certas onde nós não teríamos condições.
Neste sentido o Amalá para Xangô é o momento onde Xangô recebe todos os seus filhos, e os mostra o caminho certo, pois como Pai, ele educa, corrige e faz com que seus filhos andem e se desenvolvam a cada dia mais em toda a sua plenitude.
Que neste novo ano todo Amalá para Xangô servido no Ilé Orixá Ogum Adioko e Oyá Tofã seja para trazer prosperidade, alegria e justiça a todos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


DAMATA, Roberto. “Sobre comidas e mulheres”. In: DAMATA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil? Rio de Janeiro.ROCCO, 2001. Apud MACIEL, Maria Eunice. 2005. "Os tipos característicos. Região e estereotipos regionais". Humanas, Porto Alegre, vol. 18, n. 1/2, jan./dez. p. 171-91. p. 171-91

SANTOS, Juana Elbein dos. Os Nàgô e a morte: Pàde, Àsèsè e o culto Égun na Bahia; traduzido pela Universidade Federal da Bahia. 13 ed. Petrópolis, Vozes, 2008.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Mediunidade e Umbanda






A mediunidade é uma das formas utilizadas pelo Astral para evolução material e espiritual do ser e da humanidade, pois sendo uma capacidade natural que todos nós temos, em graus e tipos diferentes de servimos de veiculo de comunicação entre planos de vidas diferentes. Essa disposição orgânica pode ficar latente a vida toda, mas quando aflora, traz normalmente com ela alguns sintomas que nada tem haver diretamente com seu aparecimento, e sim, com desequilíbrios já sentido e manifestado pelo médium de forma mais suave, mas que o incomoda de qualquer forma.

Acontece é que, quando a mediunidade aflora, nossa sensibilidade, psíquica, emocional e energética fica mais sutil e conseqüentemente mais impressionável, nos incomodando e desequilibrando ainda mais. E se não bastasse esse desequilíbrio, juntam-se a ele outros fatores como: a falta de conhecimento, o medo do novo (desconhecido) que agravam ainda mais o problema, dando o tão conhecido e mal afamado “desequilíbrio mediúnico” que pode causar imensos transtorno na saúde, psíquica e emocional do médium, que pode repercutir também na sua vida sentimental e profissional, devido ao desequilíbrio acentuado.

Muitas vezes por desconhecimento desta causa muito procuram ajudas médicas, onde são receitados fármacos fortíssimos, chegando algumas vezes, inclusive a serem internados em clínicas especializadas para tratamento devido a uma ação mediúnica desequilibrada.
Assim, o novo médium precisa aprender a se reeducar física, psíquica, emocional, espiritual e moralmente, pois através de uma maior compreensão de si mesmo e de um pouco de estudo passa a adequar seu comportamento a sua nova condição, criando assim uma nova vibração energética, que deixará de ressoar com energias nem sempre boas de pessoas e ambientes aos quais freqüenta, afastando-se de influências espirituais danosas, para começar se conectar com freqüências espirituais mais elevadas, que o ajudam no seu reequilibro.

Normalmente o novo médium é aconselhado a desenvolver (educar) sua mediunidade, mas antes de começar, deverá procurar um local íntegro e onde ele se sinta afinizado, para que não venha depois a desistir por incompatibilidade com as regras estabelecidas.
Sentir-se bem numa casa de trabalho espiritual, já é um forte indício, que seu caminho de desenvolvimento pode estar por lá. Mas atenção, quando estamos em desequilíbrio espiritual, muitas vezes somos induzidos a sentir-se mal sempre que uma ajuda efetiva poderá se realizar.

Sabendo que a mediunidade é uma faculdade que se assenta no mental do médium, não no cérebro, e sim num campo eletromagnético que nos permeia, o novo médium e não só, devem vigiar seus pensamentos, para que com pensamentos claros e elevados, vá moldando seu caráter e sua energia, a fim de se conectar de forma melhor com seus mentores espirituais. Pois é através do que irradiamos pela mente que as conexões espirituais se criam, assim como um pensamento luminoso se conecta e atrai forças do alto, pensamentos de baixo teor nos conecta e atrai forças do em baixo. Criando assim laços magnéticos que tanto podem auxiliar o médium, como no primeiro caso, como também podem criar laços obsessivos que em muito compromete a vida do médium em todos os sentidos.

Há vários tipos de médiuns: os clariaudientes, clarividentes, sensitivos, videntes, psicografos e mais algumas dezenas de outras formas conhecidas, mas na Umbanda se dá o predomínio da mediunidade de incorporação, visto que nossos trabalhos são baseados nesse tipo de mediunidade, o que não quer dizer que outros médiuns dotados de um tipo de mediunidade diferentes não sejam aceitos dentro de uma corrente e até estimulados a usarem de sua sensibilidade em favor da nossa Umbanda.
Incorporação

Muitos acreditam que durante um processo de incorporação, o espírito do médium sai de seu corpo, e fica sei lá a onde, enquanto o espírito da entidade assume seu corpo para trabalhar. Essa idéia além de fantasiosa, é também intimidante, pois não é agradável saber que nosso espírito anda “solto”, “perdido” algures no espaço. Felizmente hoje essa idéia começa a perder espaço na mente das pessoas, cada vez mais elucidadas sobre a espiritualidade.

Essa confusão acontece porque no início das manifestações mediúnicas, ou melhor, quando as pessoas começaram a prestar atenção nestas manifestações, tudo era muito novo. E para que os médiuns não interferissem nos novos ensinamentos que eram transmitidos pela espiritualidade maior, os médiuns precursores das boas novas espirituais eram dotados de uma mediunidade cada vez mais rara nos dias de hoje que é, a mediunidade inconsciente. E com nossa Umbanda não se passou de forma diferente. Os pioneiros de nossa religião quanto entravam em transe e eram “tomados” pelos seus Guias ou Orixás e nada viam ou sentiam, ou melhor, não se lembravam, ficando como que adormecidos durante o transe. Esse método utilizado pelo Astral era para que se tornasse mais fácil, explicar e conduzir os novos ensinamentos, preparando o terreno para os novos tempos que já se vislumbravam. Com o passar dos anos, e com os ensinamentos básicos já assentados, a inconsciência deixou de ser necessária, para que os médiuns aproveitassem os ensinamentos transmitidos.

Pois na realidade, a incorporação, trata-se do processo de conexão entre os corpos energéticos, o do médium e o da entidade, é uma acoplação por afinidades energéticas, onde uma entidade se liga no campo magnético do médium e ao seu perispírito, criando assim, uma união que assumirá parcialmente o comando dos pensamentos e ações do médium, ou seja, duas pessoas unidas espiritualmente que trabalham em conjunto, auxiliando-se mutuamente e doando o que há de melhor em cada um, sem contudo deixarem de ser quem são.

Durante o transe, o médium deixa-se passivo e é incorporado pelo seu guia, e tudo ouve e tudo vê, mas quando seu guia é instado a responder ou agir, ele faz de forma imediata, sem que o médium tenha tempo de pensar sobre o que está sendo falado ou feito.
Após a subida da entidade, é normal que o médium tenha alguns lapsos de memória e não se lembre inteiramente do que viu e ouviu, perdendo também a noção do tempo durante o transe mediúnico.


Com o passar do tempo o médium fica cada vez mais inconsciente durante os trabalhos, o que não significa que ele perca toda a sua consciência. Pois são raros os médiuns totalmente inconscientes.


Salve o Astral, Salve a Umbanda!
Autor: Heldney Cals

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Erês - Características, nomes e imagens




Ibeijada, Yori, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são esses vários nomes para essas entidades que se apresentam de maneira infantil.Quando chegam no terreiro transformam o ambiente em pura alegria.

YORI: um dos raros termos sagrados que se manteve sem nenhuma alteração. Esse termo, assim como Yorimá, era de pleno conhecimento da pura Raça Vermelha, só se apagando do mental do Ser humano após a catástrofe da Atlântida. Ele ressurgiu através do Movimento Umbandista, em sua mais alta pureza e expressão. Traduzindo este vocábulo através do alfabeto Adâmico, temos: A Potência Divina Manifestando-se; A Potência dos Puros.

BEIJADA: Nome dado no Brasil, às entidades que se apresentam sob a forma de crianças. São, conforme a crença geral, nos cultos afro-brasileiros e na Umbanda, as falanges dos Orixás gêmeos africanos IBEJIS

IBEJI : (ib: “nascer”; eji: “dois”) Orixás gêmeos africanos que correspondem, no sincretismo afro-brasileiro, aos santos católicos Cosme e Damião. Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo.
DOIS DOIS: Nome pela qual são designados os santos católicos Crispim e Crispiniano; os santos Cosme e Damião; o Orixá africano IBEJI e a falange das crianças na Umbanda.

ERÊ: Vem do yorubá iré que significa “brincadeira, divertimento”. Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, Dois-Dois, são Guias ou Entidades de caráter infantil que incorporam na Umbanda.





São espiritos naturais, que jamais passaram pelo processo de encarnação, encantados da natureza, seres de imensa luz e sabedoria, que utilizam da roupagem infantil para nos trazer sabedoria através de um sorriso.

No decorrer das consultas vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. Esses seres, mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consulta, pois nos alertam sobre eles. Por apresentarem aspecto infantil podem não ser levadas muito a sério, porém o seu poder de ação fica oculto, são conselheiros e curadores, por isso foram associadas à Cosme e Damião, curadores que trabalhavam com a magia dos elementos. O elemento e força da natureza correspondente a Ibeji são todos, pois ele poderá, de acordo com a necessidade, utilizar qualquer dos elementos. Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem. Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa. Embora as crianças brinquem, dancem e cantem, exigem respeito para o seu trabalho, pois atrás dessa vibração infantil, se escondem espíritos de extraordinários conhecimentos. Imaginem uma criança com menos de sete anos possuir a experiência e a vivência de um homem velho e ainda gozar a imunidade própria dos inocentes. A entidade conhecida na umbanda por erê é assim. Faz tipo de criança, pedindo como material de trabalho chupetas, bonecas, bolinhas de gude, doces, balas e as famosas águas de bolinhas -o refrigerante e trata a todos como tio e vô.



Nomes :

Rosinha, ---> Da Cachoeira, Do Jardim, etc ...
Mariazinha ---> Da Praia, da Beira da Praia, etc ..
Ritinha, 
Pedrinho ---> Da Praia, da Pedreira, etc...
Paulinho,
Joãozinho,
Francisquinho, 
Cosminho,
Crispim,
Flechinha,
Estrelinha,
Damiana,

etc...





Alguns deles incorporam pulando e gritando, outros descem chorando, outros estão sempre com fome, etc... Estas características, que às vezes nos passam desapercebido, são sempre formas que eles têm de exercer uma função específica, como a de descarregar o médium, o terreiro ou alguém da assistência.

A festa de Cosme e Damião, santos católicos sincretizados com Ibeiji, à 27 de Setembro é muito concorrida em quase todos os terreiros do pais. Uma curiosidade: Cosme e Damião foram os primeiros santos a terem uma igreja erigida para seu culto no Brasil. Ela foi construída em Igarassu, Pernambuco e ainda existe.


Comem : bolos, balas, refrigerantes, normalmente guaraná e frutas.


Velas: Cor-de-rosa, azul claro, brancas.
Flores: Rosas brancas e cor de rosa, flores do campo
Frutas: Uva, pêssego, goiaba, maçã, morango, cerejas, ameixas.
Comidas: Doces, Frutas, Arroz Doce, Cocadas, Balas, Bolo
Bebidas: Guarané, Suco de frutas
Portais de Cura: Flores, quartzo rosa e azul, mel, velas branc

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Você precisa desenvolver sua mediunidade, senão sua vida não vai melhorar

Esta é uma frase muito ouvida dentro dos Templos de Umbanda e igualmente mal compreendida. Muitas vezes, quem a ouve chega a pensar que esta mediunidade é uma maldição em sua vida, que é uma praga ou um “karma”, enquanto a mediunidade é um dom e uma benção desconhecida.
A mediunidade é algo que o ser conquista ao longo de várias encarnações e o problema na vida não é o “ter” a mediunidade e sim o “não saber” como lidar com ela. E, claro, a mediunidade pode ser trabalhada de diversas formas, em lugares e filosofias diferentes de acordo com sua afinidade, mas é comum que os afins se atraiam e muitos que são afins com a Umbanda são atraídos para ela sem saberem que esta afinidade é algo real. 
Muitas vezes a Umbanda é seu lugar, mas nem sempre o Templo que lhe acolheu é o seu lugar dentro da Umbanda. Muitas vezes a Umbanda é um lugar desconhecido dentro de você e não um local físico a ser encontrado. Nem sempre o primeiro Templo que nos acolhe será a sua “casa” dentro da Umbanda. E como a virtude NUNCA pede recompensa, não existe dívida por caridade recebida, apenas o sentimento de gratidão e a liberdade de procurar seu Templo interno e externo, aquele que melhor puder lhe acolher de acordo com sua simpatia, empatia e afinidade.
A Umbanda lhe ensina a seguir seu coração; é um caminho de amor e liberdade, no qual não cabe o medo e a obrigação como peso para sua alma que venha a lhe acorrentar a uma situação ou lugar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Os objetos ritualísticos na Umbanda



Uma das principais coisas que chama atenção nas pessoas que vão pela primeira vez num Terreiro é ver os médiuns envoltos por colares e pulseiras de tudo que é cor. Mas poucos sabem a tamanha importância que têm estes “estranhos objetos”.
O colar denominado na Umbanda de guia é uma peça fundamental, formada por contas de cristal, tem como objetivo proteger o médium de qualquer má influência ou vibração. O cristal, como a maioria sabe, é um grande condutor de energia; quando preparado e magnetizado pelo Guia do médium será sempre a proteção durante os seus trabalhos.
Um médium vidente pode observar que, durante os trabalhos, quando as guias são ativadas pelas entidades, elas brilham formando um campo de proteção em volta do médium. Ao contrário do que dizem, as guias não são para os mentores mas sim para o médium.
Deve ser feita sempre de cristal ou vidro e nunca de plástico, pois o plástico é isolante, não absorve e nem repele energias. Existe todo um processo especial na preparação das guias, mas não vou aqui relacionar por que cada guia tem o motivo de estar sendo preparada e é uma coisa individual e particular de cada médium. Por isso, é melhor que a própria entidade ensine como se deve preparar.
O mesmo objetivo de proteção também é destinado aos cocares, chapéus, etc.  O giz usado na Umbanda é denominado de Pemba, que é também de grande importância e fundamental em todos os trabalhos. Há quem diga que “médium que não tem Pemba no Congá, não é médium”.  O “pó mágico” como dizem outros, quando “cruzado”, ou seja, magnetizado pela entidade, se torna um grande fixador de energias.
É utilizado para riscar pontos nas pessoas, mas principalmente riscar os pontos no chão. Cada ponto tem um significado que só a entidade que risca sabe. O ponto quando riscado está criando um elo com o plano espiritual que emana energias, fluídos, vibrações, etc., diretamente no ponto. Na maioria dos casos quando é riscado um ponto a entidade põe alguém necessitado dentro dele; é quando a pessoa às vezes começa sentir sono, o corpo vibrar, arrepios, etc. Isto ocorre devido a ligação direta que está tendo com determinado Guia ou energia ali fixada.
É possível também um médium vidente ver os pontos riscados brilharem e emanarem luzes diversas.
Texto extraído do Jornal de Umbanda Sagrada – JUS

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Mediunidade Consciente x Mediunidade Inconsciente



Os atabaques retumbam no ambiente trazendo vibração ao corpo de todos que ali estão. As entidades no plano astral se aproximam e vão criando laços energéticos entre seus corpos astrais e o duplo etérico do médium.  O brado anuncia a chegada do Guia-chefe da casa espiritual enquanto os outros médiuns esperam a permissão para cederem ao transe mediúnico. Em um canto do Terreiro, um médium sente todas essas sensações pela primeira vez, e um impulso em ajoelhar-se, bradar e mexer as mãos. Eis que se manifesta seu Guia espiritual, trazendo o neófito a uma nova realidade. O médium novato está assustado, pois achava que após o transe da incorporação ele perderia a consciência e entraria em uma espécie de sono, mas ali está ele, presente, ouvindo tudo, vendo tudo, sentindo tudo. E, nesse momento, a insegurança o acomete e ele pergunta: “Sou eu ou o Guia? Quando eu serei inconsciente?”.
Então, eis as respostas para estas duas perguntas: são os dois e NUNCA!
Os médiuns inconscientes clamam por presenciar os trabalhos e os conscientes clamam por apagarem. Incrível, não? A gente nunca está satisfeito com nada!
Ser inconsciente não indica grau de evolução: apenas é uma forma de manifestação mediúnica, muito rara hoje em dia, e com os dias contados. A espiritualidade determinou que é necessário que o médium aprenda e participe. Já passou da hora de assumir um pouco da responsabilidade. De que adianta o Guia se manifestar inconscientemente e fazer todo o trabalho e o médium continuar em estado de letargia?
No princípio era necessária a manifestação física, as provas e tudo mais para fundamentar a religião. Com o espiritismo ‘kardecista’ também foi assim, através das mesas girantes e das materializações. Mas tudo evolui, e chega o momento em que devemos deixar as provas de lado e ter fé. No começo, até mesmo para evitar que o médium interrompesse as manifestações mais ‘pirotécnicas’, era necessário apagar a consciência do individuo. Mas hoje é assim? De forma alguma.
Em um mundo moderno, cheio de recursos e informações, devemos prezar pela busca constante de entendimento e conhecimento. Então, não tema em ser um médium consciente: apenas confie e se deixe levar, com caráter e bom-senso. Quer se tornar um bom médium? Então se torne um bom ser humano. Estude, pratique a caridade, procure trabalhar a reforma interior, estabeleça metas e objetivos, aprenda a perdoar. Tudo isso auxilia no processo mediúnico, mesmo que nesse momento você esteja apegado a fenomenologia.
Um de meus mentores diz sempre, não basta só incorporar um espírito é preciso incorporar os valores que esse espírito carrega.
Por Douglas Rainho

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Flores na umbanda

Vamos falar um pouco sobre as flores, esses elementos da natureza cuja ação renovadora, regeneradora e filtradora, muitas vezes passa despercebida de nossa atenção.

Vemos as flores presentes nos rituais religiosos, de magia, nos preparos fitoterápicos e nos ritos fora das religiões, como motivos de alegria, comemorações ou saudade no caso dos ritos fúnebres.

Dentro do uso terapêutico, as flores tem também importância relevante. Basta lembrar da compilação da essência de flores, os famosos florais, em várias versões: Bach, Minas, Brasileiros, etc.  De uma forma mais simples, podemos usar as flores naturalmente em nossos vasos ou em arranjos florais, em nossas casas como enfeites mágicos; poderosos limpadores, reguladores energéticos e filtros harmonizadores.

Quero destacar o uso das rosas, cuja energia viva de amor é sentida até pelos corações mais endurecidos. É sempre muito positivo ter vasos com rosas em casa, ou mesmo vasos de flores do campo ou crisântemos.  Há sempre aqueles comentários populares de que crisântemos são flores que enfeitam a morte, portanto não devemos ter em casa. No entanto, eu digo o contrário: essa flor tem uma poderosa energia curadora, filtrando e curando toda energia enfermiça, transmutando-as em energia sutilizada, pronta a ser recolhida pelos canais astrais competentes.

Já falamos nessa coluna, mas sempre é bom repetir: uma magia só tem efeito quando consagrada. A magia se faz presente na simplicidade, e também no simples ato de decorar a casa com flores. Não custa nada ao colocar suas flores em sua casa, consagra-las às forças astrais superiores, dentro de sua crença, sua religião ou simplesmente à Mãe Natureza.

Um exemplo de consagração bastante simples é esse:


Espalme suas mãos sobre as flores, eleve seu pensamento ao Pai Criador, à Mãe Natureza, Mãe Terra, Mãe Água, às Divindades das Flores, aos Sagrados Gênios da Natureza habitantes das dimensões florais, e peça-lhes que consagrem essas flores para que elas sejam força viva, ativa e atuante em sua casa, filtrando toda energia negativa e transmutando-as em força de harmonia, cura, equilíbrio, paz e tranqüilidade. Assim seja e assim será.

Quando essas flores murcharem, nada de jogar no lixo. Separem suas pétalas e coloque-as num saco de papel (pode fazer alguns furinhos no saco para facilitar a ventilação), em local ventilado e ao abrigo da umidade. Depois de secas, são ótimas para banhos e defumações.

Algumas definições sobre flores (uso para banhos, defumações e adorno mágico):

Rosas brancas: a força da fé, cristalizadoras da religiosidade, fortalecem a intuição.

Rosas amarelas: a certeza, o caminho a ser seguido, fortalece as decisões.


Rosas vermelhas: a força do elemento feminino, fortalece a auto estima.


Rosas cor-de-rosa: ótimo filtro para locais em desarmonia, calma e resignação.


Calêndula: energia revitalizadora, também é um ótimo anti-alérgico.

Camomila: energia calmante, é um ótimo digestivo e clareia os cabelos.

Saúde, sucesso, muitas flores e muita magia natural!

Luz e paz a todos!!!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Exus precisam beber?



Pergunta: O pai poderia discorrer um pouco sobre o uso da bebida pelos Exus? É necessário que se beba durante o atendimento? E por que vemos médiuns beberem tanto em alguns trabalhos?

Guardião Seth: Quando falamos da água ardente, pinga, marafo ou qualquer outra denominação para a bebida ingerida durante os trabalhos com o que ainda de forma erronea entendem sobre o termo EXU ou vulgarmente chamados de ESQUERDA, devemos atentar para os seguintes pontos filho:

- MÉDIUNS DESPREPARADOS: Sempre abordamos este ponto em nossas reuniões, pois a conotação de que EXU é do diabo cresceu graças a estas figuras dentro dos terreiros que eventualmente também eram casas despreparadas para o mediunato da Umbanda. Na crença de que EXU pode tudo e faz tudo o que quer era levado em conta o EU POSSO TUDO E FAÇO TUDO O QUE DESEJO, então quem frequentava tais reuniões vislumbrava um palco de exagero e indisciplina, beberagem e leviandade levando o nome de EXU o GUARDIÃO, mas na realidade frequentado por dois tipos de seres levianos: QUIUMBAS que encontravam neste cenário o palco ideal para suas manifestações a troco de cachaça e MEDIUNS DESPREPARADOS que colocavam para fora sua vida mal resolvida por dentro e no meio de tudo isso quem pagava o pato? EXU.

- ELEMENTO VEGETAL: A pinga utilizada nos terreiros nada mais é do que um elemento vegetal que carrega a energia: TERRA, ÁGUA e FOGO pela sua composição e lembrando que no período de formação da cana de açúcar antes que duvidem da palavra deste velho guardião encontramos a ação FOGO no vento solar que fatora todo nosso planeta. Utilizada como elemento de magia não se faz necessário beber-se durante o atendimento, mas como disse nas mãos de um guardião de lei, manipular os elementos "mágicos" vegetais que a contra parte deste liquido nos oferece, tornando-o um grande campo de limpeza energética.

Usamos a pinga nos atendimentos para:

·    Limpar o duplo etéreo de quem estamos atendendo de parasitas que nele estejam alojados

·              Desagregar cascões espirituais ligados a pessoa devido a seu padrão vibratório

·        Efetuar limpezas energéticas de ambientes promovendo uma energia semelhante ( eu disse semelhante) ao vento solar
Como pode ver filho não existe a necessidade de ingestão da bebida em si, mas a manipulação correta magisticamente do elemento.

Pergunta: Mas por que então vemos tantas pessoas agindo de forma errada?

Guardião Seth: Por que falta estudo, conhecimento de causa e acima de tudo conhecer-se a si próprio. A Umbanda virou um teatro, um palco onde um quer devorar o outro sem motivos, somente por fama ou ainda para agregar titulo " O pai ou mãe tal é poderoso" ou ainda " Somente eu posso iniciar, pois este mistério foi aberto somente a mim...", ora filho a Umbanda é uma religião que cultua a natureza e a mesma pertence ao Criador não ao homem, este só a usa em sua passagem e faz isso de forma leviana, basta ver como ele a esta destruindo.

O que falta é estudo, bom sendo e amor a criação, talvez com estas bases possam os MÉDIUNS conhecerem um pouco mais da MAGIA DE EXU e serem mais conscientes de seus atos e compromissos com a Umbanda, deixando de fazer tanta besteira em nome de EXU, mas antes de mais nada levando a bandeira da UMBANDA consciente de sua responsabilidade na formação de opiniões.

Sarava a vossa banda!


Guardião Seth - Canalizado por Géro Maita


Luz e paz a todos.
Este texto foi retirado do site http://espiritualizandocomaumbanda.blogspot.com.br/